DESIGUALDADE

Mais 2 milhões de brasileiros passam a viver na pobreza

“Mesmo sem ter uma casa para morar atualmente, minha prioridade é ter o que comer”, diz Marcos Rezende da Silva, catador de material reciclável, que atualmente está em situação de rua. É na rua que ele vive e tira seu sustento. Segundo Rezende, sua renda mensal é instável. “Tem mês que consigo R$ 300, outro mês R$ 400. Às vezes consigo R$ 700 por mês, mas é mais difícil”, diz.

O catador faz parte dos mais de 54 milhões de brasileiros que vivem em situação de pobreza no Brasil. Na quarta-feira (5), a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) divulgou, por meio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um levantamento revelando que em apenas um ano, o país passou a ter quase 2 milhões de pessoas a mais vivendo em situação de pobreza. Além do que, a pobreza extrema também cresceu em patamar semelhante.

De acordo com a pesquisa, em 2016 havia no país 52,8 milhões de pessoas em situação de pobreza. Este contingente aumentou para 54,8 milhões em 2017, um crescimento de quase 4%, e representa 26,5% da população total do Brasil, estimada em 207 milhões (em 2016, eram 25,7%). Já a população na condição de pobreza extrema aumentou em 13%, saltando de 13,5 milhões para 15,3 milhões no mesmo período. Do total de brasileiros, 7,4% estavam abaixo da linha de extrema pobreza em 2017. Em 2016, quando a população era estimada em cerca de 205,3 milhões, esse percentual era de 6,6%.

Segundo o IBGE, é considerada em situação de extrema pobreza quem dispõe de menos de US$ 1,90 por dia, o que equivale a aproximadamente R$ 140 por mês. Já a linha de pobreza é de rendimento inferior a US$ 5,5 por dia, o que corresponde a cerca de R$ 406 por mês. Essas linhas foram definidas pelo Banco Mundial para acompanhar a pobreza global. O rendimento médio mensal domiciliar per capita (a soma das rendas de todos os moradores do domicílio, dividida pelo número de pessoas) obtido no país foi de R$ 1.511 em 2017.

Segundo dados recentes da Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), o mapa da fome no mundo voltou a crescer após uma década de diminuição por conta de conflitos e mudanças climáticas. Atualmente, de acordo com a entidade, mais de 2 bilhões de pessoas sofrem de alguma forma de deficiência nutricional – aproximadamente 30% da população mundial. 11% delas – 815 milhões têm fome.

O Brasil saiu do mapa mundial da fome em 2014, o que significa que menos de 5% da população sofre com a falta de alimentos. Recentemente a ONU também divulgou que 1,3 toneladas de alimentos produzidos por América do Sul e Caribe (15% do total) são desperdiçados, o que, segundo o órgão, poderia alimentar 30 milhões de pessoas nas respectivas regiões.

Mesmo diante desta situação, o catador afirma que não lamenta pela atual situação financeira. “Não faço contas e tento controlar o dinheiro que ganho, mesmo sabendo que é pouco”, afirma ele, que trabalhou por mais de 40 anos como lavrador. Sem residência, Silva diz que sua ideia é seguir para São Paulo e tentar a vida por lá. “Também tenho o sonho de me aposentar. Quem sabe.”

VIVER NA LINHA DA POBREZA
COM 400 REAIS MENSAIS
MARCO REZENDE DA SILVA

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