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Jundiaí, 12 de dezembro de 2017
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Cidades antes e depois das Olimpíadas - Por: LARISSA CARBONE

Cidades antes e depois das Olimpíadas

© Jornal de Jundiaí
Recentemente, tenho visto várias matérias jornalísticas criticando as instalações e infraestruturas realizadas para as Olimpíadas do Brasil, que ocorreu no Rio de Janeiro em 2016.

Não só pela constatação de que as estruturas gigantes construídas para o evento estão ociosas e pelo alto custo de manutenção de cada uma, mas principalmente pelos escândalos de corrupção atrelados aos governos municipal, estadual e federal empenhados na construção das edificações necessárias para o evento ocorrer.

Trata-se de uma oportunidade para qualquer cidade alavancar investimentos e agregar vantagens urbanísticas, sociais, culturais e econômicas, porém não podemos fechar o cenário somente para o caso Brasil. O tema me chamou atenção por ler uma matéria sobre as Olimpíadas de Paris, que acontecerão em 2024, que tem como principal preocupação a sustentabilidade.

O evento acontece a muitos e muitos anos e sua origem está na Grécia Antiga, na cidade de Olímpia, onde os Jogos Olímpicos da Antiguidade tiveram início para que os participantes homenageassem o deus Zeus. Os homens participavam dos jogos em honra a Zeus e as mulheres tinham seus próprios jogos em honra à Hera. O vencedor recebia uma coroa de louro ou de folhas de oliveira.

Ora, se o evento acontece há milênios, porque a sociedade/organizadores ainda cometem erros primordiais em seu planejamento e realização? Claro, são muitos interesses e conveniências envolvidos em um grande acontecimento!

Os escândalos de corrupção, construções mal acabadas, com problemas estruturais, de manutenção caríssima e espaços grandiosos e sem utilização, não são exclusivos da estrutura brasileira. Em rápida pesquisa, pode-se desvendar casos bem famosos com inúmeras questões negativas. Como exemplo posso citar os Jogos de Pequim, em 2008, cujos espaços estão sem uso e apresentam custo elevado até hoje. 

As premissas básicas de um bom planejamento serão respeitadas nos Jogos de Paris, como o uso da estrutura existente combinada com a sustentabilidade das ações, garantindo o principal para um evento como este - a mobilidade.
As adaptações de estruturas existentes, tanto temporárias como definitivas, certamente são menos onerosas para os cofres públicos e para a parceria com a iniciativa privada. Além disso, a intenção de destinar as moradias da vila olímpica à população de baixa renda me chamou muito a atenção e me motivou a escrever sobre o assunto.

Paris tem muito a ganhar com este belo exemplo de inovação. Será o cenário perfeito para este evento, que na antiguidade simbolizava um acontecimento de trégua e paz. Já estou ansiosa para conhecer mais o projeto que deve ser carregado de história e simbolismos.

* LARISSA CARBONE é arquiteta e urbanista. Membro do IAB Jundiaí. http://iabjundiai.org.br - http://larissacarbonearquitetura.com.br

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