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Jundiaí, 12 de dezembro de 2017
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Já é hora - Por: LARISSA CARBONE

Já é hora

© Jornal de Jundiaí
Estava pensando no momento de crise generalizada em que vivemos e a reflexão é: quando será a ruptura? Será que ela já ocorreu e não percebi ou será que precisamos de um pouco mais de caos em nossa vida política, econômica, financeira, cultural e moral para que sejam criados movimentos buscando a nova era?

Talvez o fato de estar vivendo neste momento e não só aprendendo sobre história de nossa sociedade e suas profundas cicatrizes atrapalhe minha lucidez. Não vivi o período de guerra nem o pós-guerra, mas vivemos as consequências deste mundo conquistado pelas disputa de poderes entre grandes potências.

No século XX, duas décadas ficaram marcadas pelas profundas transformações sociais e culturais, cujos reflexos mudaram completamente o mundo ocidental: os loucos anos 20 e a rebelde década de 60. Considerando um contexto financeiro e econômico com vários planos e tratados de reconstrução e cooperação econômica, os norte-americanos aceleraram seu processo de industrialização e, ao término da guerra, gozavam de uma situação invejável.

Por outro lado a Europa e seu campo de batalha estava em busca de novas soluções econômicas, financeiras, culturais e sobretudo habitacionais.
Mas ao mesmo tempo em que avanços científicos e tecnológicos impulsionados pela guerra refletiam na indústria, mudanças culturais e comportamentais também se processavam e nem sempre em sintonia com os “anos dourados”.

Se por um lado Hollywood vendia uma imagem romântica, glamourizada e irreal, a geração pós-guerra ficaria marcada pela incerteza e pelo conflito com os valores que levaram o mundo a uma experiência tão terrível. Em 1951 o livro “O Apanhador no Campo de Centeio”, de J.D.

Salinger, é o “start” de um movimento que 7 anos mais tarde ficaria conhecido como “Beatnik” ou “Geração Beat”. Ainda nos anos 50, o rock de garagem adicionava elementos do blues e do folk para gerar uma nova música. Nas Inglaterra de 1952, os artistas Laurence Alloway, Smithson, Richard Hamilton, Eduardo Paolozzi e Reyner Banham criavam o Independent Group, que deu origem à Pop Art.

No design, assim como na arquitetura, a palavra de ordem era “Futurismo”. O plástico surge como alternativa comercial flexível, barata, prática e colorida. O fiber glass surge como material revolucionário. O aço inox e o alumínio, sobras da indústria bélica já sem mercado, substituem a madeira sob o apelo da resistência e durabilidade. Tudo brilha e é produzido em série.

Nessa mesma época fervilhava um movimento de oposição com o passado artístico, o modernismo, que quebrava o conceito do passado histórico artístico, com o propósito de inovação e abrangência no ideal de arte. E agora, qual será a ruptura frente a tantas indisposições? Penso que é hora do “belo”, frente a tantas guerras que estamos vivendo. 

* LARISSA CARBONE é arquiteta, urbanista e membro do IAB Jundiaí. http://iabjundiai.org.br / http://larissacarbonearquitetura.com.br

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