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Aos 107 anos, Polytheama é referência e vende média de 8,1 mil ingressos por mês

ARIADNE GATTOLINI | 13/12/2018 | 05:03

[TEXTO]O Teatro Polytheama, querido dos jundiaienses, elogiado pela classe artística nacional, chega aos 107 anos como um dos teatros de referência no Estado de São Paulo, com a impressionante média mensal de 8,1 mil ingressos vendidos. Mas sua performance artística não pode ser medida somente em público, ele também é um dos únicos teatros brasileiros a ter corpos artísticos estáveis, com a Orquestra Municipal de Jundiaí e companhias de dança e teatro.
Quem o conheceu na década de 80, abandonado, sem telhado, com pássaros voando sobre seu palco se impressiona com a coragem de a cidade ter vencido a lentidão brasileira em relação à cultura e ter levado a cabo a reforma proposta pela renomada arquiteta Lina B o Bardi, em 1996. Suas paredes de tijolos aparentes, com elementos modernos, nos remetem sempre ao apogeu da era ferroviária, embora ainda faltem o ar-condicionado e o anexo para camarins, já previsto no projeto inicial de Lina.
Nesta quinta, dia 13, às 20h, com entrada gratuita, mais uma vez o Polytheama se mostra grandioso. A recém-criada Cia. Jovem de Dança de Jundiaí vai abrir o espetáculo para a São Paulo Companhia de Dança. Os jovens bailarinos jundiaienses irão apresentar “Estudos em Chrom.Aqui”, uma remontagem do diretor artístico Alex Soares, para comemorar seu aniversário.
Logo após a abertura, a São Paulo Companhia de Dança trará três coreografias, com direção artística de Inês Bogéa e coreografia de Marco Goecke, “Peekaboo” , “Duo Pássaro de Fogo” e “Supernova”.
Segundo o diretor do teatro, Wagner Nacarato, manter a excelência dos corpos garante um permanente aperfeiçoamento da cultura jundiaiense. “Nossas apresentações acabaram criando um público ávido por música, teatro e, agora, dança. Empregamos mais de 80 profissionais da arte, sustentado o que chamamos de economia criativa.”
Nacarato usa os conceitos de Alfredo Bosi para projetar o papel do teatro na cidade. “É preciso apreciar a arte, refletir e fazer a arte. Jundiaí chegou a este terceiro estágio, felizmente.”
Além de continuar a trazer shows de renomados artistas nacionais, como Almir Satter, Adriana Calcanhoto, Nando Reis, o trabalho dos corpos começa a ser visto logo em janeiro do ano que vem, com espetáculos criados e montados para eles. A Orquestra Municipal de Jundiaí já entrou para o calendário mensal do público, assim como, durante o ano todo, a parceria com a Astra-Finamax lotou o teatro para assistir seus espetáculos, em especial à 9ª. Sinfonia de Beethoven.
Tanta música de qualidade, teatro e, agora, dança, colocam o Polytheama num lugar que ele nunca deixou de estar para a população jundiaiense, no coração histórico cultural da cidade. Para uma cidade que pulsa em acordes, textos e coreografias, levar espetáculos com gratuidade à população é uma vertente pouco comum em um país acostumado à cultura de massa. Nestes 107 anos, Polytheama, muito obrigada por nos abrigar.

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