NEM-NEM

Cerca de 23% dos jovens estão fora do mercado

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelam que 23% dos jovens brasileiros não trabalham e nem estudam, e fazem parte da chamada geração “nem-nem”. Mas embora o termo induza à ideia de que eles são ociosos e improdutivos, 31% deles estão procurando trabalho, principalmente os homens, e mais da metade, 64%, dedicam-se a trabalhos de cuidado doméstico e familiar, principalmente as mulheres.
É o que tem feito a fotógrafa Giovanna Bastos Gasparini, de 25 anos. Desde o final do ano passado, quando se formou em bacharel em fotografia, ela tem procurado uma oportunidade na área, mas diz que a falta de experiência tem fechado as portas. “Infelizmente as pessoas não dão oportunidade de começar. E sem experiência fica difícil”, lamenta Giovanna.
Ela é filha única e ainda mora com os pais. Para ela, ter de pedir dinheiro sempre que precisa de algo não é nada agradável. “Morar com meus pais não me incomoda, mas gostaria de ter minha liberdade financeira.”
O professor de Economia da IBE Conveniada FGV, Cláudio Tosta, explica que as gerações mais antigas tinham uma maior intenção de acumular bens, de ter grande poder aquisitivo e de ser influente. As novas gerações têm outros princípios. “Precisamos entender que os princípios são diferentes e são eles que trazem pontos importantes para essa relação”, explica.
Segundo ele, as novas gerações buscam por qualidade de vida e não satisfação no trabalho. “Se isso se prova é preciso mudar totalmente um planejamento estratégico para que não haja um impacto econômico”, acredita.
A coordenadora de RH, Janaína Lemes, reforça que o ideal seria que a ideia de valorização do emprego fosse transmitida ao jovem pela família. Considerando que o emprego é um meio de independência, por exemplo, e não de penitência.
“Percebemos que existe uma cultura de que a responsabilidade pela conquista do emprego nunca é do profissional que busca o emprego. Quer dizer, ou é do mercado, dos processos seletivos, ou do governo, ou ainda da falta de qualificação”, exemplifica.
É preciso, segundo a profissional, investimentos em educação. “Quando investigamos qual a dificuldade de contratação, identificamos que o motivo das reprovas se dão pelo comportamento, má postura e atitudes inadequados do candidato”, lembra.

PESQUISA
No Brasil há cerca de 33 milhões de jovens com idade entre 15 e 24 anos, o que corresponde a mais de 17% da população. Segundo a pesquisadora do Ipea Enid Rocha, o país vive um momento de bônus demográfico, quando a população ativa é maior que a população dependente, que são crianças e idosos, além de estar em uma onda jovem, que é o ápice da população jovem.
Além das indicações constantes no estudo, Enid também destaca a importância de políticas de saúde específica para jovens com problemas de saúde mental, traumas e depressão.
A pesquisa foi realizada em parceria do Ipea com a Fundación Espacio Público, do Chile, o Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento Internacional (IRDC), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com apoio do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG).

Rui Carlos

COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA BRASIL

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