EM SÃO PAULO

Brasileiros correm contra nova marca negativa na São Silvestre

No último dia de um 2018 difícil para muitos corredores brasileiros, a 94ª edição da São Silvestre aparece como boa oportunidade para encerrar o ano em alta.

A tradicional corrida pelas ruas de São Paulo será realizada na manhã desta segunda-feira (31), com largada e chegada na avenida Paulista.

Em 2017, os atletas do país tiveram seu pior desempenho em 44 anos contando as categorias masculina e feminina. O melhor resultado foi de Joziane Cardoso, que terminou na décima posição.

Entre os homens, Ederson Pereira foi o brasileiro mais bem colocado, em 12º lugar.
Desde 1973, quando a prova tinha 8,9 km de percurso -hoje são 15 km-, o resultado final não havia sido tão ruim para os atletas da casa.
Parecia um prenúncio do ano tumultuado que viveria o atletismo brasileiro, pelo menos fora das pistas. A temporada de 2018 foi marcada pelo fechamento da principal equipe da modalidade, a B3, acompanhada do encerramento das atividades de uma das mais tradicionais do país, o Cruzeiro.

A B3 era o time defendido por Ederson Pereira, 28, que agora está no Esporte Clube Pinheiros.

“É triste isso. A gente vê alguns amigos que acabam ficando desempregados, que não conseguem arrumar outro clube. Ficamos até um pouco pressionados, porque o esporte está passando por dificuldade nos últimos anos, mas não podemos nos abater por isso. A gente é guerreiro”, afirmou o atleta.

Apesar do desempenho ruim do país na última edição, ele disse que ficou satisfeito com a condição de brasileiro mais bem colocado.
“Particularmente é um sonho vencer essa prova, e eu posso dizer que a preparação foi muito boa. Porém, eu tive um ano difícil com lesões, o que impossibilitou fazer uma preparação mais específica em termos de altitude, de buscar um treinamento diferenciado”, afirmou Pereira.

Por ora, seu principal objetivo é ficar entre os cinco primeiros colocados e conseguir um lugar no pódio.
Joziane Cardoso, 33, tem o mesmo objetivo. Ela reconhece, porém, que a concorrência das atletas de países da África dificulta a vida dos locais.

“Não que os brasileiros não sejam capazes, mas é outro nível. A questão de nós nos prepararmos para chegarmos no nível deles, a cada ano que passa está ficando mais difícil. Porque os patrocínios estão acabando, equipes estão acabando. Então isso está desmotivando muito atleta”, declarou a corredora do Londrina Atletismo, clube do Paraná.

Cláudio Castilho, gerente de esportes olímpicos do Pinheiros, também insiste na necessidade de os brasileiros fazerem um planejamento específico para a prova se quiserem ter chances de vitória.

Para ele, o fato de o evento atrair os africanos deve ser encarado como um fator positivo. “Nos últimos anos, os resultados que têm ocorrido na São Silvestre demonstram esse status que a prova tem. Gostaria que isso continuasse, prefiro que a prova tenha esse nível. Porque a gente sai pra buscar isso. E em casa a gente tem que valorizar.”

Bicampeão da prova, Dawitt Admasu, etíope que agora defende o Bahrein, é o maior destaque entre os estrangeiros. Outro é o queniano Paul Kipkemboi, campeão da Meia Maratona do Rio neste ano.
Vencedora da mesma prova, a queniana Ester Kakuri se destaca entre as mulheres, assim como a etíope Sintayehu Hailemichael, vice da São Silvestre no ano passado.

Wellington Bezerra na coletiva da Corrida Internacional de São Silvestre (Foto: Roberto Casimiro /Fotoarena/Folhapress)

 

 

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