CAPOEIRA

Jundiaense cria ‘Capoeirarte’ como expressão máxima da cultura

Se você pedir a um capoeirista para definir sua arte em poucas palavras, é provável que ele se refira a uma antiga música bastante tocada nas rodas: “É defesa, é ataque, é a ginga do corpo, é a malandragem”. Por certo, as poucas palavras seriam ditas em tom de brincadeira, tamanha a dificuldade para delinear uma expressão cultural tipicamente brasileira, com sua mistura de arte marcial, música e cultura popular.

Originária de negros africanos trazidos ao Brasil como escravos, a capoeira se desenvolveu em solo tupiniquim, alcançou o mundo e, hoje, é praticada em quase todos os países do planeta. Jundiaienses, por sua vez, tem a sorte de contar com um dos mais tarimbados mestres da bela arte. Com 40 anos de prática e 35 ensinando a pura ginga, Jorge Germano de Lemos, o Girino, é praticamente uma figura mítica na cidade.

Dono de uma técnica apuradíssima e conhecimento de um doutor no assunto, Girino recebeu o apelido de seu mestre, o Rã. Tem movimentos que se assemelham aos de um bailarino preciso, tal Baryshnikov, mas efetuados ao som de uma cabaça, um arame e um pedaço de pau, o nosso berimbau. Há algum tempo, o jundiaiense resolveu deixar o grupo do qual fazia parte para ter o seu. Criou a Associação Integrada Capoeirarte em razão da “preocupação com os mínimos detalhes que fazem desta arte algo tão complexo”, diz.

Segundo Girino, são inúmeros os benefícios proporcionados pelo treino da capoeira, físico e mental. “Além disso, ela é para todas as idades, nível social. Não há discriminação”, comenta o mestre, que, pela capoeira, já percorreu diversos países da Europa e América do Norte, e tem, agora, um novo desafio: desenvolver um projeto de pesquisa sobre lutas africanas.

Foi de Girino também a ideia de colocar pais e filhos treinando juntos. “Os pais iam assistir aos filhos. Pensei por que não trazê-los para dentro dos treinos. E eles aceitaram e estão gostando muito”, diz. Segundo o mestre, são treinos dados em horários específicos, as segundas, quartas e sextas-feiras, das 18h30 às 19h15, quando então se iniciam os treinos livres, das 19h30 às 21h. O que ele chama de “capoeira familiar”.

Onde: A Associação Integrada Capoeirarte fica na avenida Francisco Pereira de Castro, 336, no Anhangabaú, em Jundiaí. Já o telefone é o (11) 4521-4412.

Foto: arquivo pessoal

COMENTE

Loading Facebook Comments ...

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *