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15/03/2017 06h00 - PAREDÃO
Costanza Pascolato: ícone fashion e referência de estilo
Ellen Fernandes
efernandes@jj.com.br
© Reprodução
Figura sempre presente na mídia, é reconhecida como uma autoridade em moda no Brasil.
Um dos ícones de elegância do Brasil, Costanza Pascolato nasceu na Itália e chegou com sua família a São Paulo, em fevereiro de 1946, aos cinco anos de idade, fugindo da Segunda Guerra Mundial. A história dela com a moda começou por intermédio de seu pai, Michele Pascolato, que fundou a fábrica de tecidos Santaconstancia na qual é sócia. Requisitada em consultorias de moda, Costanza se tornou referência de estilo e conquistou o status de celebridade por sua trajetória de vida e elegância que inspiram as mulheres brasileiras.

Requisitada para eventos do universo fashion, ela participou das comemorações dos 30 anos da marca Spezzato que possui dez lojas e é vendida em cerca de 300 multimarcas pelo País. O bate papo descontraído com o público foi no Teatro Iguatemi Campinas onde Costanza conversou sobre moda, estilo e sua trajetória profissional. Na ocasião, promoveu uma sessão de autógrafos do livro “O Essencial – O que você precisa para viver com mais estilo”, um verdadeiro guia sobre moda e estilo. Em entrevista exclusiva à revista Hype, a ’papisa da moda’, como é conhecida, compartilhou suas opiniões sobre elegância, carreira, moda, redes sociais, entre outros temas. Confira e inspire-se nessa grande mulher!

Revista Hype: O que é ser elegante?

COSTANZA PASCOLATO: É basicamente ser coerente com você mesma se adequando a diferentes situações e lugares, sem esquecer de priorizar conforto, equilíbrio e harmonia. Num compromisso de trabalho, por exemplo, sempre penso no lugar onde ele vai acontecer e como as pessoas podem estar vestidas ou vão se comportar ali. Sem deixar de ser eu mesma, tento me adequar àquela situação para que seja confortável e harmonioso para mim e para quem estiver por perto. 

De um ponto de vista, digamos, mais “existencial”, elegância é o apuro do porte e das maneiras, é o que faz evoluir sua cota pessoal de engenho e inventividade. Ser elegante é uma forma de se colocar em harmonia com o universo, se superar, evoluir, viver alegrias e prazeres relacionados à criação. Isso tem a ver com a forma como você pensa a sua vida, como se coloca no mundo.


Em que consiste o trabalho de uma consultora de moda? O que é essencial para ser uma boa profissional?

No meu caso, consiste em levar para cada uma das empresas com as quais eu trabalho um panorama do que existe de mais contemporâneo e novo, com um olhar especialmente voltado para o futuro. Não se trata apenas de identificar tendências, mas essencialmente de perceber, entender e tentar avaliar panoramas nacionais e internacionais para saber como a moda, que é um grande negócio, absorve e reflete os aspectos sociais, econômicos e políticos de cada momento.

Aliás, como você avalia a moda no Brasil atualmente? Numa realidade de Brasil em crise, como a moda se vira?

Acho que o Brasil surpreende sempre pela rapidez com que reage a qualquer eventualidade. No caso do longo momento de transição que estamos vivendo, fiquei surpresa com as iniciativas e as providências que muitas marcas apresentaram na recente edição da São Paulo Fashion Week, que trouxe novas estratégias e novos estilos, observando comportamentos que têm pautado a contemporaneidade no país. Isso, diga-se, além de discutir e apresentar, entre outras, questões importantes como as coleções seasonless, para serem vendidas imediatamente após o desfile, ou propostas do trabalho criativo mais colaborativo, especialmente porque unir forças e talentos diferentes é fundamental agora.

E o mercado do luxo? O que interessa hoje ao segmento na sua opinião?

O mercado de luxo está mais cauteloso e a prioridade é observar como os consumidores se comportam neste momento de tantas instabilidades e transformações.

Apesar do cenário econômico instável você acredita que mesmo assim há quem ainda não pense duas vezes ao gastar mais de R$ 100 mil numa bolsa de grife? Ou quem compra quer marcas que forneçam algum tipo de experiência?

No mercado do luxo, valores são sempre relativos porque envolve consumidores privilegiados. Sobre as experiências possibilitadas pelo consumo de um determinado produto, trata-se de um comportamento muito identificado com os millenials, jovens consumidores mais interessados em novas maneiras de se vestir e se expressar, quase sempre mais informais, e nada preocupados ou interessados meramente em ostentar marcas e valores “tradicionais” do mercado do luxo.

Qual seu ritual de beleza e saúde? Li que a senhora bebe um litro e meio de água ao acordar. É isso mesmo?

O principal ritual atualmente é começar o dia dando graças a Deus de ainda estar aqui e bebendo muita água, sim, para comemorar. Já foi um litro e meio, conforme você leu, ao acordar, mas diminui um pouquinho depois de descobrir possíveis perdas de sais minerais com todo esse volume de água matinal na minha idade.

Sou bastante curiosa e todos os temas sobre saúde habitualmente me interessam. Falando de beleza, hoje, para estar sempre arrumadinha, as iniciativas têm mais a ver com logística, esforço, paciência e bom senso do que exatamente com um ritual específico.

O que aborrece você?

A arrogância.

O que acha da exposição que as pessoas fazem de si mesmas nas redes sociais?

Acho que é um comportamento típico da nossa época, de liberdade extrema para que cada um faça o que quiser. As pessoas encontraram uma maneira de se manifestar e, em alguns casos, até de trabalhar a partir dessa exposição pessoal, fazendo das redes sociais e do alcance da comunicação digital coisas essenciais na vida delas. E se há audiência, para combater o grande medo da nossa época - que é o medo de ser anônimo -, e as pessoas existem também virtualmente, as outras, as que não têm tanta iniciativa e se tornam mais “espectadoras”, acabam ganhando personagens e modelos para observar e se espelhar, sobretudo em um momento de tantas mudanças de valores e da passagem muito acelerada do tempo, que obviamente também acelera a passagem da própria vida.

Para saber mais, acesse

 

A trajetória da papista da moda

Costanza Maria Teresa Ida Clotilde Pallavicini Pascolato. Esse é o nome da empresária, ícone fashion e autoridade em moda no país conhecida como Costanza Pascolato. Ela iniciou sua carreira como editora e consultora de moda na revista Claudia, da Editora Abril, no início dos anos 70, onde trabalhou por 17 anos. Em 1980, recebeu o título de ’papisa da moda’ de Joyce Pascowitch, apelido que carrega até hoje.

Seu pai, Michele Pascolato, fundou a fábrica de tecidos Santaconstancia. Quando o patriarca faleceu, em 1987, Costanza assumiu a tecelagem e a transformou numa das maiores empresas brasileiras do ramo têxtil, até hoje fornecendo tecidos para os maiores estilistas do país. Em 1988, ela deixou a Editora Abril e passou a assinar uma coluna de moda no jornal Folha de S.

Paulo. Foi então que decidiu abrir sua empresa de consultoria, integrando posteriormente a equipe da revista Vogue.

Foi condecorada Commendatore dell’Ordine della Stella pelo governo italiano como uma de suas cidadãs ilustres. Figura sempre presente na mídia, é reconhecida como uma autoridade em moda no Brasil. É autora dos livros: O Essencial – O que você precisa para viver com mais estilo; Confidencial – Segredos de Moda, Estilo e Bem-Viver e Meu Caderno de Estampas.

Em abril de 2014, Costanza e sua amiga artista plástica Marilu Beer estrearam a primeira temporada do sofá-chat-show exibido no Youtube, Costanza & Marilu - um encontro irreverente entre duas damas do contemporâneo. Em novembro de 2014, a série conquistou a televisão, sendo exibida no canal Discovery Home & Health. Em dezembro de 2014, entrou para a lista dos 50 brasileiros mais estilosos da moda.

TAGS · Paredão · Costanza Pascolato · entrevista · moda · fashion ·
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