CONSCIENTIZAÇÃO

Campanha ‘Não dê Esmola’ foca na cidadania

Com o objetivo de conscientizar a comunidade de que é possível ajudar pessoas em situação de rua ou em vulnerabilidade de outras maneiras que não seja dando esmolas nas ruas ou nos semáforos, as Unidades de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS) e de Inovação e Relação com o Cidadão (UGIRC) reforçam a partir de abril a campanha ‘Não dê Esmolas. Ajude de Verdade’.
Lançada no final do ano passado, a campanha agora terá outro viés: lançamento de vídeos com relatos documentais, informativos nas redes sociais e nova fase de distribuição de material gráfico de cartazes e folders.
Segundo explica a gestora da Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social Nádia Taffarello Soares, a ajuda pode vir pelo acompanhamento e encaminhamento à rede de serviço público que atenda a pessoa em todas as suas necessidades, como higiene, alimentação, orientação para emissão de documentos, profissionalização, geração de renda e outros, como já acontece no Centro de Referência Especializado da Assistência Social para população em situação de rua (Centro Pop).
“A questão não se resume ao recebimento de esmolas, mas é ampla e multicausal, com diversas histórias pessoais, motivos e contextos. Somente com o acesso, de fato, às políticas públicas, a situação de vulnerabilidade pode ser superada e assim os preconceitos não são agravados”, adianta Nádia.
No ano passado, a campanha foi focada onde há maior concentração de pedidos de esmola identificados pela abordagem social, como entornos de feiras, comércios, estação ferroviária e vias centrais de grande circulação. Durante o trabalho muitos foram identificados como sendo moradores de fora da cidade e nem todos estavam, de fato, em situação de rua.
“Ajudar de verdade significa uma sinergia de esforços entre o indivíduo, família, sociedade e Estado”, comenta a gestora.

ALÉM DA PROIBIÇÃO
Para o defensor público e coordenador da Regional de Jundiaí, Fábio Jacyntho Sorge, impedir que as pessoas peçam esmolas pelas ruas, seja por meio de campanhas ou fiscalizações, pode sim resultar em uma redução na chegada de moradores em situação de rua de outras cidades. Ele acredita que a medida pode deixar a cidade com menos atrativo para estes moradores e assim afastá-los, mas só impedi-los de pedir esmolas não é a solução.
“É sempre importante lembrar sobre a função do poder público, seja da União, Estados ou dos municípios, quanto a implementação de políticas para a erradicação da miséria e da pobreza. Não é inconstitucional ou ilegal pedir ou dar esmolas. Na verdade é um direito do cidadão. Assim como é opção do outro cidadão dar ou não esta contribuição.”
E é justamente por ser um debate amplo, o defensor lembra sobre o fim da violência ou da mendicância pela cidade nem sempre está atrelado ao fim da esmola. “A maneira de evitar a mendicância ou a violência é a redução e a erradicação da pobreza, com a redução do número de moradores de rua. É sempre bom lembrar que o Brasil é o campeão mundial da desigualdade social e da concentração de renda e, enquanto esse quadro não for alterado, teremos mendicância e, infelizmente, violência que algumas vezes decorre da miséria”, alerta.
Ainda sobre a campanha, as unidades envolvidas no processo de formatação e implementação da mesma reforçam que há um processo de construção de parcerias com outras entidades para dar maior visibilidade ao projeto, porém não adiantaram quais farão parte.

CAMPANHA NAO DE ESMOLAS  MORADOR DE RUA

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