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Com má alimentação, risco à saúde de adolescentes cresce

Deficiência de ferro, pré-diabetes, falta de vitamina D e sobrepeso são alguns problemas de saúde cada vez mais comuns entre os adolescentes. Enquanto a genética pode estar relacionada a essas doenças, a verdade é que elas têm crescido conforme os hábitos alimentares dos jovens ficam piores.

Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), divulgados em outubro pelo Ministério da Saúde, apontam que mais da metade dos adolescentes (55%) consumiram produtos industrializados em 2017. Além disso, 42% deles ingeriram hambúrguer e embutidos e 43%, biscoitos recheados, doces ou guloseimas.

O estudo demonstra que meninos se alimentam ligeiramente pior que meninas. Cerca de 58% dos meninos e 54% das meninas consomem produtos industrializados. Fast food também apresenta maior preferência entre os meninos (41%) do que entre meninas (38%) e bolachas recheadas também, sendo a predileção de 42% das meninas e 41% dos meninos.

Os maus hábitos à mesa têm refletido na saúde e no excesso de peso dos adolescentes, mas a nutricionista comportamental Graziela Rezende faz um alerta: a solução não é proibir certos alimentos nem impor o consumo de outros. “O papel dos pais é fundamental, mas o jovem precisa ter autonomia para fazer suas escolhas. A boa alimentação deve ser incentivada e não imposta”, diz. Ela sugere que os pais envolvam seus filhos no processo de compra e preparação das refeições. “Quando ele sentir que seu papel na alimentação da família é importante, a chance de comer melhor é maior”.

A abordagem diferente da profissional, que foge de dietas, confundiu Bruno Cortez Silva, de 14 anos, no início. Ele começou a se preocupar com o próprio peso quando notou que não só as suas roupas não o serviam mais, como as roupas do pai também estavam ficando apertadas. Procurou uma nutricionista que o ajudasse a emagrecer e se surpreendeu ao saber que não precisaria deixar de comer carboidratos – ou qualquer outro grupo alimentar. “Não tenho meta de peso ou de tamanho. Minhas metas são beber mais água, comer com mais atenção e dormir melhor”, conta.

Em três meses de tratamento, Bruno parou de comer em frente ao computador e, prestando mais atenção na comida, percebeu que não precisava do segundo prato para se sentir satisfeito. Agora que se preocupa em dormir oito horas por dia, as beliscadas da madrugada também tiveram um fim e, descansado, seu desempenho na sala de aula também melhorou.

Aos poucos, ele tem comido mais legumes, verduras e frutas do que comia antes – sem deixar a lasanha de lado. “Não existe comida boa ou ruim. Uma alimentação equilibrada tem espaço para todos os alimentos e, por isso, o jovem precisa ter liberdade para sair com os amigos e comer o que gosta”, explica Graziela.

A nutricionista alerta para que os pais tomem o cuidado de não fazer seus filhos sentirem culpa ou medo em relação à comida, o que pode gerar outros problemas de saúde, como transtornos alimentares. “A adolescência é uma fase de cobranças, incertezas e conflitos internos”, explica. “Dar adeus à culpa é essencial para fazer escolhas conscientes na alimentação”.

Bruno descobriu que não precisava deixar de comer nenhum grupo alimentar (Foto: Rui Carlos)

Para a nutricionista Graziela Rezende, jovens têm de desenvolver autonomia para comer, sem culpa ou medo (Foto: Rui Carlos)

 

 

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