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Como as redes sociais influenciam na busca do “corpo perfeito”

GUSTAVO AMORIM | 30/07/2018 | 05:00

“Eu tinha pavor de engordar. Fiz muitas loucuras: não me alimentava mais, ia para a academia sem nada no estômago, ficava um dia inteiro sem comer, chegava a cheirar o alimento para sentir a ‘falsa’ sensação de saciedade e não ter a vontade de comê-lo”, revela M.S, de 30 anos. “Eu vejo aquelas fotos perfeitas, o corpo sarado e me sinto mal por não ser igual, ou pelo menos parecida. Não conseguia reparar que estava ficando infeliz pelo que via lá”, diz T.C., de 27 anos.

Esses são relatos de um homem e uma mulher jundiaienses que não estavam satisfeitos com o próprio corpo. Com a morte de uma mulher no Rio de Janeiro – depois de uma cirurgica plástica mal-sucedida e em busca desse corpo perfeito -, o caso de médicos desautorizados a fazer tal procedimento, como o Dr. Bumbum, veio à tona no país. Mas o que leva as pessoas a decidirem por uma operação desse tipo, às vezes até sabendo dos riscos? Uma das respostas pode estar nas redes sociais.

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“As pessoas estão a todo instante buscando a cultura do ideal”, explica Wesley Moreira Pinheiro, especialista em influência digital e comportamento do consumidor em ambientes digitais. “Numa rede social como o Instagram, por exemplo, as pessoas mostram os seus melhores momentos, as melhores viagens. Para estar bonito, tem que estar com o melhor corpo, a melhor roupa. É ganhar like”, explica. Segundo Wesley, não é questão de fama, mas sim de aceitação social.

A psicóloga Gabrielle Marques destaca que a busca pelo corpo perfeito é um dos fatores que promovem essa aceitação social. “Mas não podemos dizer que é o único fator. Como em todas as questões que precisam ser debatidas, a história de vida de cada pessoa também é fundamental”, diz. Isabela Pimentel, especialista em comunicação e mestranda em criação e produção de conteúdos digitais, afirma que cada pessoa é influenciada por um grupo de indivíduos em sua decisão. “Se eu vejo que 10 amigas minhas também estão seguindo tal pessoa, aquele perfil, sou contagiado a seguir, acompanhar e até a fazer as coisas que aquela pessoa diz”.

Entretanto, o problema atual, segundo Isabela, está na falta de checagem. “Ter muitos likes virou um requisito de credibilidade. Pode ser positivo se eu pesquiso em outros canais e não só naquela mídia. É um processo parecido com as fake news (notícias falsas)”, destaca. “Eu opto por um profissional que não é necessariamente reconhecido dentro do mercado, mas nas redes sociais. Tomo a decisão através delas. Se você vê uma já fazendo, endossa que aquele processo é seguro”, pontua Wesley. “É um processo de formação de cascata. Às vezes eu nem pergunto se você gostou”, diz Isabela.

Hoje mais tranquila em relação às influências, M.S. diz que o principal é estar bem com o jeito que a pessoa é, seja ele qual for. “O meu lema hoje é liberdade. Fazer tudo sem ter que me sentir presa a estereótipos e coisas do tipo”.

Foto meramente ilustrativa | Créditos: Freepik

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