SEGURANÇA

Decreto dará mais segurança aos ciclistas nas rodovias

Um decreto do governador de São Paulo, Márcio França, prevê que a partir deste mês todos os projetos de duplicação ou construção de rodovias no Estado de São Paulo terão de incluir estudos sobre a necessidade e a possibilidade de implantação de ciclovias ou ciclofaixas. Segundo a norma, deve ser feita a opção preferencial por ciclovias quando o tráfego de bicicletas for separado fisicamente dos veículos motorizados. Procurada, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) informou que as normas para circular em rodovias e em vias de trânsito rápido estão definidas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

De acordo com o decreto 63.881/18 de 3/12/2018, caberá às concessionárias rever e adaptar os novos projetos de construção ou duplicação de rodovias em concessão, bem como os projetos de construção ou duplicação de rodovias ainda não aprovados.
Independentemente de como as concessionárias irão se adaptar às normas, quem utiliza as rodovias para andar de bicicleta espera por mais segurança. Há 12 anos o proprietário de uma loja de bicicletas e praticante ativo do ciclismo, Edson Assis enfatiza que é preciso oferecer sempre segurança aos ciclistas, principalmente quando se trata de furtos de bicicletas e acidentes envolvendo motoristas desatentos.

“Temos algumas rodovias na Região que são ótimas para se pedalar, inclusive tem ciclistas de outras cidades que preferem vir para cá do que andar por São Paulo. Mas são caminhos raros e estes exemplos precisam ser seguidos”, espera. Uma opção, segundo indica, seria a construção de que chamam de “estradas parques”. São aquelas que ficam próximas a rodovias e dão acesso à cidade. “Quando saímos cedo fica mais fácil e seguro.” A CCR Autoban, que administra o Sistema Anhanguera-Bandeirantes, informa que embora o tráfego de bicicletas no acostamento das rodovias brasileiras seja permitido pelo CTB, a concessionária recomenda que os ciclistas evitem transitar pelas rodovias.

Ao longo do ano, concessionária, Polícia Militar Rodoviária e Artesp realizam diversas campanhas com o objetivo de orientar ciclistas – inclusive com abordagens – sobre os riscos de trafegar no acostamento. Neste ano, aproximadamente 300 ciclistas já foram orientados no Sistema Anhanguera-Bandeirantes.

A AB Colinas, que administra o trecho entre Jundiaí e Itu da Rodovia Dom Gabriel Paulino Bueno Couto (SP 300), informa que o tráfego de bicicletas nas rodovias administradas pela concessionária não é proibido, mas recomenda que os ciclistas só trafeguem por elas em casos de extrema necessidade. Nessas situações, eles devem obedecer algumas orientações, como utilizar equipamentos de segurança (em especial o capacete), usar dispositivos refletivos ou luminosos nas bicicletas para se tornarem visíveis no período noturno, trafegar sempre pelo acostamento, o mais longe possível da faixa de rolamento dos veículos e vestir roupas claras.

A concessionária destaca ainda que a existência de ciclovias nas rodovias sob sua concessão não está prevista no contrato e, conforme citado no decreto, se houver a necessidade de instalação de espaços destinados a ciclistas, a obra deve passar por processo de reequilíbrio econômico-financeiro junto ao Governo Estadual e a Artesp.

A Rodovia Dom Gabriel, entre Jundiaí e Itu, registrou, de janeiro e novembro deste ano, apenas um acidente envolvendo ciclista. Já no mesmo período do ano passado, a via registrou dois casos.

A Concessionária Rota das Bandeiras, empresa responsável pela administração do Corredor Dom Pedro de rodovias, informa que aguarda orientação da Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo) para definição de como serão os estudos técnicos para a implantação de ciclovias ou ciclofaixas em novos projetos. O contrato de Concessão vigente não prevê este tipo de modal nas rodovias e, desta forma, os projetos aprovados até então não possuíam normas a respeito.

ACIDENTES
De janeiro a outubro deste ano, 329 ciclistas morreram em acidentes no estado, segundo o Infosiga – sistema do governo de São Paulo que divulga dados de acidentes de trânsito. O número representa um aumento de 42% em comparação as 231 mortes registradas no mesmo período de 2017. Aconteceram em rodovias estaduais, 33,7% dos casos, e 54,4% em vias municipais.

Rui Carlos

COMENTE

Loading Facebook Comments ...

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *