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Emoções devem ser abordadas de forma leve com as crianças

Lidar com emoções é um desafio para qualquer ser humano. No caso das crianças, em especial, requer ainda mais cuidado. Principalmente quando o assunto for delicado. “É necessário abordar as situações de forma simples e leve, usando uma linguagem que a criança entenda, de acordo com a maturidade dela, e responder o que for perguntado”, explica a psicóloga Ana Foelkel.
Ela ressalta ainda a importância de não mentir, para que no futuro se estabeleça um vínculo de confiança. “Assim, a criança se sinta amparada, respeitada e com amor pelos seus sentimentos”, conclui a psicóloga.

Foi dessa maneira que a auxiliar de produção, Vânia Regina Silva de Carvalho, de 36 anos, abordou a perda do marido com as filhas Bárbara. de 9, e Sofia, de 4. Há quatro anos, Antônio Carlos voltava de São Paulo de motocicleta quando sofreu um acidente. Ele foi socorrido, mas morreu três dias depois no hospital. “Contei o que aconteceu de uma forma mais leve. Disse para a Bárbara, que entendia mais na época, que o pai dela havia ido embora e virado uma estrelinha no céu”, lembra. “Foi uma situação difícil. Minhas filhas eram pequenas, mas não poderia mentir. Se eu não falasse a verdade e ela descobrisse por outra pessoa, perderíamos a relação de confiança que temos hoje. E o justo é saber a verdade”, completa.
A forma com que Vânia conduziu a situação vai ao encontro da forma que a psicóloga opina ser o ideal. “A forma de abordar a perda vai depender da idade da criança e das crenças. Por exemplo, para uma criança de 3 anos, pode-se dizer que a pessoa que não está mais presente, virou uma estrelinha. Já para uma criança mais velha, deve-se investigar como está se sentindo para que possa amenizar a dor, com acompanhamento psicológico”, ensina.0

Vânia revela que, hoje em dia, após passar por tratamento psicológico, as meninas entendem a situação e falam sobre o ocorrido. “A Bárbara sofre um pouco mais com a situação e se fecha muitas vezes. A Sofia se questiona os motivos de o pai não estar junto, de não ter tantas fotos com ele e busca na figura masculina o carinho paternal.”, conta. “Há algumas situações em que elas ficam mais acanhadas e sentem realmente a falta, mas o diálogo e sinceridade que temos umas com as outras amenizam o problema”, completa.
“A medida em que as crianças vão amadurecimento, tendo personalidade, entendendo as emoções de raiva, amor, saudades, entre outras, sentem com mais intensidade a perda. É normal, mas dependendo da intensidade é necessário ajuda”, avalia Ana.

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Comentário Sobre: “Emoções devem ser abordadas de forma leve com as crianças

  1. Excelente artigo. É essencial o apoio de um psicólogo, quando não sabemos como conduzir determinadas situações.

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