DIA DAS MÃES

ESPECIAL: Da gravidez tardia à maternidade ‘especial’

FILHOS COMO BÊNÇÃOS DE VIDA

“Sempre quis ser mãe e tinha muito medo de não conseguir. Me casei já madura, com 35 anos, e decidimos não esperar para ter um filho, porém perdi o bebê na primeira gravidez. Foi terrível, difícil, mas Deus quis que eu fosse mãe e me deu o Vinícius”, conta Soleide Amaro Tomaz Cruz, de 48 anos, que decidiu adotar uma criança. Seu irmão e cunhada haviam adotado um menino há poucos meses. Porém, por questões financeiras, não podiam acolher o irmão do garoto, que também estava na fila de adoção. Em uma conversa com o marido, ainda se recuperando fisicamente da gestação mal-sucedida, Sula, como é conhecida por amigos e familiares, decidiu ficar com Vinicius Tomaz Cruz, na época com cinco anos. “No início foi complicado porque ele não queria ficar conosco, queria o meu irmão. Era quem ele conhecia. O dia em que fui buscá-lo ele chorou muito, mas em três meses já nos chamava de mãe e pai. Aí conhecemos um menino carinhoso, inteligente e dedicado. Ele é uma bênção”, declara a mãe coruja. Depois da adoção, a mulher passou por mais duas gravidezes. Uma em que também perdeu o bebê e a segunda, já com 44 anos, em que deu a luz à saudável e simpática Ana Laura. “Eu conhecia como era ser mãe de uma criança que já sabia andar, falar e comer sozinha. A Ana Laura me deu a oportunidade de também conhecer como é lidar com as outras fases da vida de um filho. Costumo dizer que Deus me tirou sim duas crianças, mas para dar outras duas perfeitas para mim”, conclui Sula.

 

SER MÃE DA MANUELA ME TRANSFORMOU
Dizem que a vida é feita de dores e delícias. Verdade ou não, essa frase representa bem a história de Mariângela Vendrame, mãe da Gabriela, de dois anos e da Manuela, de quatro. Quando a primogênita começou a apresentar atrasos no desenvolvimento motor e da fala, toda a família iniciou uma luta: terapias ocupacionais, sessões com fonoaudióloga, visitas a psicóloga e a espera de um diagnóstico difícil: autismo. Como se não bastassem essas emoções, uma novidade a caminho: outro bebê. “Foi uma loucura. Ser mãe já é uma mudança drástica na vida, mas ser mãe de uma criança com autismo requer uma transformação e a Manuela me transformou. Minha crença, paciência, a maneira como me relaciono com as pessoas e a luta para entender que ninguém precisa ser igual a ninguém. Tudo é novo depois do diagnóstico da Manuela. É difícil lidar com a situação, mas é um aprendizado constante e ela me ajuda a ser melhor”, afirma Mariângela, que divide seu tempo entre a maternidade de duas e o trabalho como engenheira de segurança, em São Paulo. “Deixo a minha vida de lado para fazer o melhor para elas. Continuei trabalhando para conseguirmos arcar com os gastos das diversas atividades que ela participa: fono, musicoterapia, equoterapia, entre outros. Como ela ainda não fala, tentamos observar com cuidado suas reações. Mas só consigo ser essa mulher graças a ajuda que recebo da melhor mãe do mundo: a minha, Dona Laura”, declara.

AMOR AOS EXTREMOS:
MATERNIDADE AOS 15 E AOS 50
O desafio de ser mãe na adolescência, ao lado da dificuldade de engravidar após os 45. Raquel Aparecida Cazatti, de 50 anos, vivenciou essas duas experiências. Aos 15 anos, veio ao mundo sua primeira filha, Jéssica Cazatti e, no ano passado, após 34 anos, Raquel realizou o sonho de ser mãe pela segunda vez, quando deu à luz ao pequeno Benjamim. “É como se tivesse renascido para a vida”, conta. Com a dificuldade para engravidar naturalmente, a assistente administrativa recorreu à medicina. “Fiz fertilização in vitro e depois o médico escolheu os embriões saudáveis, inseminou dois, mas no segundo mês de gestação, um parou de desenvolver e ficou só o Benjamim”, conta a mãe, que, além da inseminação, fez um tratamento hormonal desde o primeiro mês de gestação. “Aos quinze anos você ainda é uma criança, não entende direito tudo que está acontecendo. A responsabilidade de cuidar de um filho e a insegurança do que fazer é muito grande”, conta a mãe de segunda viagem, que confessa estar aprendendo muito com o pequeno Benjamim. “Agora tenho vivência e segurança no que estou fazendo”, acrescenta. Realizada, Raquel vê sua história como um incentivo a quem quer ser mãe depois dos quarenta. “Este sonho está muito mais próximo do que elas imaginam, hoje a medicina está muito avançada e muito a nosso favor”.

 

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