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Estado dobra repasse de verba ao Hospital São Vicente

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 05/04/2018 | 06:12

O secretário de saúde do Estado de São Paulo, David Uip, esteve ontem em Jundiaí para assinar mais um convênio com o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP). O repasse de R$ 13,2 milhões será feito em dez parcelas de R$ 1,2 milhão, com início do pagamento ainda nesse mês. O novo valor equivale ao dobro da parcela do convênio anterior, de R$ 600 mil.

David Uip admitiu que reforço não é suficiente para sanar as necessidades. Foto: Alessandro Rosman

David Uip admitiu que reforço não é suficiente para sanar as necessidades. Foto: Alessandro Rosman

Segundo o prefeito Luiz Fernando Machado (PSDB), o valor será usado para custear o hospital e ajudar a diminuir o déficit mensal da instituição, que é de R$ 2,4 milhões. “A população vai ver diferença na estabilidade do hospital. Hoje, os servidores trabalham tensos em relação ao salário instável, como vimos acontecer no fim de 2016”, afirmou. “Queremos estabilizar a parte financeira e dar tranquilidade aos servidores para tratar, acolher bem e salvar vidas aqui”.

O secretário estadual admitiu que o reforço não é suficiente para sanar todas as necessidades da Região e cobrou mais participação federal no financiamento da saúde. “O custeio é sempre o problema. Dez anos atrás, o governo federal custeava 64% da saúde do estado e agora ele financia 22%. São R$ 2 bilhões por ano que a União deixa de repassar e não credencia novos serviços”, reclamou. “Quem sustenta é o estado e o município”.
O contraditório em sua fala é que, em 2017, o governo do estado foi responsável por apenas 0,64% do financiamento da saúde em Jundiaí, segundo os dados apresentados pelo gestor de Saúde, Tiago Texera, em audiência pública na semana passada.“Ouço isso em todo lugar e desqualifico essa conversa em dois minutos”, retrucou Uip ao ser questionado pela reportagem. “Você não está calculando os repasses, o Hospital Regional (HR), o Ambulatório Médico de Especialidades (AME), os remédios de alto custo”, argumentou.

O secretário esquivou quando perguntado sobre os atendimentos no HR e no AME da cidade. “O Regional está completo. Tem que haver trabalho integrado com HSV e a Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) para que os equipamentos não façam os mesmos serviços e otimizem-se os recursos”, afirmou. “Nossos AMEs são muito bem avaliados, com satisfação superior a 98%”.

Sobre a falta de remédios de alto custo, Uip afirmou que são vários os motivos que levam à falta de 11% dos medicamentos. “Tem o remédio que o Ministério da Saúde não entregou, ou entregou em menor quantidade; tem os processos de licitação para fornecimento de remédios que ninguém quer concorrer; tem a entrega que não vem”, justificou. O secretário de saúde anunciou também um projeto-piloto que pode solucionar o problema de distribuição e logística dos remédios. “Vamos testar, em São Bernardo do Campo, um consórcio de distribuição pelo Poupatempo, além de contratar uma empresa privada”, revelou.


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