DIA DA ABOLIÇÃO

Evento discute questão racial e desafios atuais

Discutir e ter conhecimento é o melhor jeito de entender um problema. Quando o problema envolve questões raciais, o entendimento é fundamental. Segundo a assessora de Políticas para Igualdade Social de Jundiaí, Isabela Galdino Miguel, o racismo ainda é muito presente, mesmo que de forma sutil.

“Existe porque a história não foi ensinada. Ninguém aprendeu a realidade sobre a época, ninguém sabe que o negro foi escravizado pela qualidade da mão de obra e que por ter essa qualidade é que o Brasil tem o que tem hoje”, afirma.

Foto: Rui Carlos

Justamente para ensinar e desconstruir o racismo, a faculdade Anhanguera sediou ontem o evento “130 anos de abolição. E agora?”, realizado em parceria com o Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra de Jundiaí, com objetivo de discutir com os alunos do curso de direito os avanços e retrocessos da lei, as consequências e se foi feita de forma adequada.

“Digo que não podemos pensar no dia 13 de maio (dia da abolição no Brasil) e sim no 14. Pensar no que foi feito depois. Não houve políticas públicas para reinserção do negro na comunidade. Eles foram simplesmente abandonados, sem emprego e sem casa para morar”, lamenta Isabela, que também é uma das organizadoras do evento.

Ela ainda estende a discussão para os dias atuais, comentando as cotas raciais em universidades e dificuldade de o negro conseguir emprego. “Vejo isso como uma reparação histórica do Governo. Até os europeus tiveram cotas de terras quando chegaram ao Brasil, para serem inseridos na sociedade. O negro também precisa, e as cotas em universidades trazem isso”, opina.

Para o coordenador do curso de diretor da faculdade, Márcio Cozatti, esse tipo de debate é sempre agregador. “Sempre trazemos assuntos relevantes, como o racismo, homofobia, intolerância religiosa, por exemplo. A partir da discussão conseguimos refletir com conteúdo sobre os problemas atuais”, destaca.

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6 pensamentos sobre “Evento discute questão racial e desafios atuais

  1. Racismo em uma sociedade evoluída é algo que não existe. Acho que estamos morando no planeta errado. Daí a importância da discussão sobre o assunto, para que as gerações futuras não percam tempo com este tipo de coisa.

  2. Sou de família afrodescendente, meus filhos nasceram todos brancos, nunca falamos de racismo, apenas ensinamos que todos os seres humanos são iguais, nunca mostramos que um poderia ter vantagem sobre o outro devido cor, sexo, classe social, etc. Ele foi aprender sobre preconceito na escola, tema levado pela professora, aí falamos sobre o tema normalmente.
    No nosso caso, ensinamos nossos filhos a amar e respeitar outrem, sem abordar o tema, apenas serem seres humanos que respeitam uns aos outros, deu certo não falar sobre o assunto, pelo menos no nosso caso.

  3. NADA MAIS JUSTO . NÓS JA NASCEMOS EM DESVANTAGEM , FRUTO DE UMA FALSA LIBERTAÇÃO , QUE NOS JOGOU A MARGEM . OS CONTRARIOS , PRECISAM CONHECER MELHOR NOSSA HISTÓRIA . SUCESSO PARABENS AOS ORGANIZADORES DESTE EVENTO

  4. A maior bandeira do racismo são pessoas que desconhecem a histórua como de fato realmente aconteceram… verborragiam palavras e opniões sem embasamento e contexto histórico e acreditam que apenas o seu ponto de vista é o fundamental… e o fato dessas pessoas não gostar, acreditar, aceitar é direito delas… mas elas não tem direito de achar qualquer coisa sobre a vida alheia… pois, quando falamos de racismo, falamos de vida.

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