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Maternar é a entrega ao amor

DA REDAÇÃO | 12/05/2019 | 05:05

Erica: uma tia muito presente
Tia do Hebert, de 21 anos, Erica Bandeira Gonçalves, 43, é a prova de que o amor de tia só se multiplica. Como ela diz, “nossa vida se resume em antes e depois do Hebert”. Ao lado da mãe Emília, avó do rapaz, Erica se empenha em dar a melhor educação e todos os cuidados necessários ao sobrinho que, desde bebê, mora com elas.

Quando ele nasceu, Erica lembra que o irmão ainda estava casado. O relacionamento não deu certo e Hebert ficou com o pai, que tem o mesmo nome. Assim, a família passou a cuidar do bebê, que desde cedo recebeu toda dedicação.

Aos quatro meses de idade, Hebert precisou fazer uma cirurgia devido a uma má-formação craniana. Tudo correu bem e Erica se orgulha em dizer que ao precisar de sangue, o tipo sanguíneo da avó, Emília, foi o único compatível. Hebert tem deficiência intelectual e a tia se recorda que demorou para falar e aceitar tomar remédios, entre outras dificuldades.

Foram muitas atividades de estimulação e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, com atendimento, participação em grupos, programas e atividades educacionais na Apae, em Jundiaí, onde a família reside. No Peama, o Programa de Esportes e Atividades Motoras Adaptadas, ele faz capoeira e, com seu sorriso contagiante, vive rodeado de carinho e amigos. “Vivemos por ele e para ele. Hebert preenche um espaço muito importante nas nossas vidas. Uma frase me marcou muito e nunca me esqueço: ‘Não é ele que precisa de vocês, são vocês que precisam dele”, relata Erica, que sempre entusiasmada, procura manter suas atividades profissionais, além dos cuidados com a saúde e beleza. “Para cuidar de alguém é preciso estar bem, ter uma vida social e viver um dia de cada vez”, afirma. (Solange Poli)

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Silvana é (mãe)drasta
Todos já ouviram a frase “mãe é quem cria e não quem põe no mundo”. Tia, avó, madrinha, madrasta. Todas podem ser mães sem ter necessariamente dado a luz. O que importa é o amor, o cuidado e o carinho que essas mulheres dedicam aos filhos.

A história de Silvana da Silva Requelme Rezende, uma dentista de 45 anos, representa muito bem essa frase. Conheceu seu marido há 22 anos. Na época, ele estava se separando da ex-mulher que estava grávida da terceira filha do casal. “Depois que eles se separaram as meninas Lorraine, Mayara e Dyovanna, continuaram morando com a mãe. Nós nos casamos e seis meses depois percebemos que a mãe delas não tinha mais condições de cuidar das três”, lembra. Silvana conta que um dia, a mãe deixou as três meninas na casa da tia e ligou para que o pai fosse buscá-las. “Eu estava casada há seis meses. Meu marido me olhou e perguntou ‘o que a gente faz?’ Olhei para ele e respondi ‘vamos buscar as meninas’. Fomos até São Paulo buscar as três e trouxemos elas para morarem com a gente. Logo depois descobri que estava grávida”, conta.

Silvana diz que as meninas sempre foram muito carinhosas e receptivas com ela. “Foi um desafio mas em nenhum momento tive medo ou me arrependi da minha decisão. Sempre que eu fazia aquelas brincadeiras de criança na escola que diziam quantos filhos você teria, meu número era quatro. Era para ser”, conta.

Para a dentista, o segredo do bom relacionamento foi sempre tratar as meninas como filhas biológicas. “Nunca dei um tratamento diferente para elas. Sempre aconselhei, orientei e dei broncas como qualquer mãe faria”, diz. (Mariana Checoni)

Dona Maria é a mãe dos netos
Como diz o ditado, avó é mãe duas vezes. Mas o que dizer de uma avó que cria os próprios netos? Mãe duas vezes? Pois a história desta personagem não tem nada a ver com simbolismo ou frases feitas. É a história real de uma avó, Maria de Nazaré Diogo, 62 anos, que depois de perder sua filha ficou com a guarda dos netos gêmeos.

Em 2015 sua filha mais velha, então com 33 anos, morreu vítima de ataque cardíaco deixando Maria Eduarda e Luiz Eduardo, na época com quatro anos. A guarda definitiva foi dada a ela imediatamente. “Depois da morte é que eu fiquei sabendo que ela sentia dores no peito, mas não falou nada para ninguém. Até que um dia a dor aumentou e quando fomos ao hospital ela morreu nos meus braços. A última coisa que me falou foi ‘mãe cuida dos meus filhos’”, conta emocionada.

Hoje com oito anos, os gêmeos são cuidados pela avó-mãe com todo o carinho e cuidado. Da escola ao médico. Dos passeios aos cursos extras e terapias para que consigam superar a perda. “Eles perguntam pela mãe o tempo todo. Acham que vai voltar algum dia, porque ela saiu para ir ao médico e não voltou mais. Eu mesma não deixei eles irem até o velório e ao cemitério, então não sei se isto tem atrapalhado”, confessa dona Maria.

Mesmo sendo criados desde pequenos por ela, Maria Eduarda e Luiz Eduardo ainda a chamam de ‘vó’. Um tratamento que ela mesma faz questão que permaneça. “Eles tiveram uma mãe e é importante que não se esqueçam. Claro que sempre haverá uma ausência, inclusive para mim, porque perdi uma filha, mas faço o que posso para ajudar estas crianças”, diz emocionada a dona de casa.

Para que a saúde física e mental dos gêmeos seja preservada, ela conta com a ajuda de outras pessoas, principalmente na escola e na igreja onde frequentam. As orações, participação no coral e até atividades extraclasse são uma válvula de escape para todos. “Como não sei ler avisei a professora deles porque seria difícil ajudá-los com o dever de casa, mas estamos fazendo tudo possível”, diz esta cearense que ainda tem um filho e outro neto.  (Simone de Oliveira)

DIA DAS MAES MARIA NAZARE COM SEUS NETOS MARIA EDUARDA ARAUJO DOS SANTOS LUIZ EDUARDO ARAUJO DOS SANTOS

Amor, carinho e muito cuidado entre avó e neta
Amor e gratidão são as palavras que definem o relacionamento da estudante de 21 anos, Isabella Beagim, e de sua avó materna, Francisca Barsanelli, 89. Juntas desde que a jovem era bebê, a avó acompanhou de perto o crescimento da neta e teve papel fundamental em sua criação.

Devido a rotina de trabalho da mãe, Isabella passava o dia na casa da avó, que sempre a acolheu como filha. Prova disso é o quarto próprio que a neta sempre teve na casa dos avós. “Moro com a minha avó desde sempre. Passava o dia inteiro lá antigamente, só dormia na minha casa. Por conta da faculdade tive que me mudar mesmo para a casa dela”, conta.

A estudante se refere a avó como sua segunda mãe e diz que as duas têm uma ligação muito forte. “Minha avó sempre foi presente em minha vida, foi com ela que eu falei a minha primeira palavra, ela que me fez parar de usar fraldas e ir no banheiro, ela que me ensinou o amor aos animais, pois morava em uma casa muito grande e no quintal tinham muitas galinhas”, lembra a jovem.

Atualmente Isabella retribui todo o carinho e amor que recebeu durante esses anos, cuidado da avó. Francisca teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e enfrenta uma leve demência, o que fragiliza sua saúde. “Hoje ela está um pouco debilitada por conta da idade, mas como eu moro com ela tento cuidar da melhor forma e retribuir o que ela fez por mim”. (Grazielly Coelho)

DIA DAS MAES ISABELLA BARSANELLI COM SUA AVO FRANCISCA GUILHEM BARSANELLI


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