13 DE MAIO

Mesmo sutil, racismo persiste

Após 130 anos da abolição da escravatura, ainda é preciso falar de preconceito racial. Mascarado, e por vezes reconfigurado para se adequar às novas tecnologias, o racismo ainda mata. É o que mostra uma pesquisa divulgada em 2017 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A cada 100 vítimas de homicídio, 71 são negras.

“O racismo hoje é sutil e ganhou uma nova roupagem de preconceitos. Mata pessoas, e quando não mata fisicamente, mata psicologicamente, mata na bala, e nós vemos isso no aumento da taxa de genocídio da população negra”, argumenta Vanderlei Victorino, de 45 anos, coordenador do movimento social de luta pelos negros Círculo Palmarino.
A estudante de história Alissa Galdino de Souza, de 19 anos, sofre o preconceito, literalmente, na pele. “Ser negro em uma sociedade racista nunca foi fácil e nunca será. Ser mulher negra é mais difícil ainda, digo por experiência própria. Todos os dias temos que lidar com olhares e pré-julgamentos que, ao meu ver, são uma baita prova de resistência”, conta a jovem que por vezes já se viu obrigada a mudar seu cabelo e a omitir sua cultura para se encaixar em um padrão exigido socialmente.

Mas frente a tanta repressão cultural e formas de escravidão simbólica, o que realmente significou o 13 de maio de 1888? Para Vanderlei, o marco não passou de uma falsa abolição, uma vez que até hoje a escravidão se faz presente. “Quando a lei áurea foi assinada, havia mais de 20 artigos sobre a reforma agrária, sobre o direito do negro de voltar para a sua terra custeada pela coroa da época. E mesmo assim, o negro foi simplesmente liberto sem nenhuma condição, sem saúde, terra, moradia, emprego”, explica.

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7 pensamentos sobre “Mesmo sutil, racismo persiste

  1. Com a Constituição de 1988, todos são iguais perante a lei. No entanto, num país onde a miscigenação é liberada e a aculturação é um fato, não tem porque ter preconceito racial. Pode ter subjetiva, mas quem pode julgar outro por esse motivo? Um país onde há abertura para o imigrante, o nativo e o que foi trazido para cá cativo, deveria ser aberto a esse tipo de visão. As cotas deveriam ser apenas para os deficientes físicos, para que se encaixem na vida econômica e de trabalho. As cotas raciais não têm sentido, justamente, onde a maioria é descendente de afro, de indígenas. Com a vinda dos imigrantes, que também são minoria, deveria, neste raciocínio, deveriam também entrar nas ‘cotas’? Afinal, quem é realmente branco, que veio de Portugal, que também foi trazido para o Brasil, degredado? Por isso deveriam ser abolidas as ‘cotas’ na universidades públicas. Todos devem ter as mesmas oportunidades. A diferença são econômicas e não étnicas. O caráter do cidadão é medida por ética e não etnia. Neste caso os judeus, os japoneses, os italianos, os havaianos, os chineses deveriam ter mais privilégios? Não. O preconceito pode ser subjetivo, mas nunca legal.

  2. O que é reprovável em minha opinião, é quando existe exagero de ambas as partes. Existem atualmente muitos negros que ascenderam uma classe social melhor (jogadores, cantores, atores, advogados, etc) e que pelo fato de serem ricos, discriminam os que estão abaixo na pirâmide social (seja ele branco ou negro). Por ai dá para ter uma ideia, de que não é só a cor que dita o preconceito. Esta lei de cotas (tão discutida) tenta justamente tirar uma diferença social/econômica, existente no país há anos. O negro teve seus direitos suprimidos e ficou relegado por décadas. Esperamos que no futuro, esta diferença social/econômica não exista e não seja mais necessário a lei, para consertar um erro histórico cometido contra os negros. E quando esta geração passar, ao menos deixem bons frutos para a geração futura não ter que discutir sobre assuntos como estes, racismo e preconceito. Outra coisa, minha cútis é branca e respeito o ser humano, pelo que ele é.

  3. As cotas foram uma medida inspirada nos Estados Unidos. Mas são melhor que nada, pois o Brasil não conseguiu desenvolver outro meio de inserir socialmente os negros afetados pelo racismo.

    • Exatamente meu caro, sou pardo, mas meu pai e 80% da minha família é afrodescendente. Essas políticas de cotas e o discurso de algumas ideologias ao invés de diminuir, estão dividindo ainda mais as pessoas e disseminando o ódio com discurso vitimista.

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