Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Tecnologias elevam a receita no agronegócio

SOLANGE POLI | 12/05/2019 | 05:00

Nos últimos cinco anos é observada uma crescente evolução da receita e da produtividade no setor agrícola em Jundiaí. Produtores se animam a investir e buscar inovações tecnológicas para avançar também em competitividade no mercado. Culturas diversificadas, com destaque para a uva, que se mantém firme, também possibilitam novos negócios e o fortalecimento da agricultura familiar.

A profissionalização e aplicação de novas técnicas favorecem a cadeia do agronegócio, efetivamente instalada na região agrícola, impulsionada também pelo turismo rural. A receita cresce para o produtor, que na contramão das dificuldades econômicas enfrentadas pelo País, encara os desafios com uma nova dinâmica.

De acordo com Eduardo Alvarez, gestor da Unidade de Gestão de Agronegócio, Abastecimento e Turismo da Prefeitura de Jundiaí, atualmente quando se pensa em agricultura familiar não significa que esta não seja tecnificada. Pelo projeto Lupa, levantamento censitário realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Cati (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral), Jundiaí tem uma área produtiva de 26.049 hectares. O gestor lembra que são aproximadamente 700 produtores. “É necessário agregar valores, com técnicas que permitem tornar o setor ainda mais competitivo, com novas tecnologias e o escalonamento para aumentar e melhorar a qualidade da produção”, explica. A realização da poda verde, manejo realizado geralmente em julho, tem gerado resultados satisfatórios. Outro fator essencial para a elevação da renda, segundo o gestor, é a venda direta para o consumidor, sem intermediários.

Quem busca agregar valor em sua produção, lembra Alvarez, automaticamente consegue minimizar os riscos. “O olhar dos produtores hoje vai além. Passou a ser um olhar de empresário, prova disso é a produção de vinho artesanal, com a presença marcante de adegas e restaurantes em bairros antes dominados apenas pelas propriedades rurais. O fortalecimento se consolida, portanto, através dessas estratégias inovadoras”, complementa Eduardo.

A unidade da prefeitura, enfatiza o gestor, é direcionada à gestão de setores que impulsionam a economia local, o que diferencia Jundiaí de muitas outras cidades. “O turismo veio consolidar e fortalecer o agronegócio, com rotas cada vez mais conhecidas. Também o cultivo de orgânicos cresceu, com importantes iniciativas que tornam os produtos mais acessíveis, com a devida certificação. O produtor agrícola precisa ter essa visão empreendedora para continuar crescendo”, sinaliza.

Visão ambiental
O agrônomo Hamilton Humberto Ramos, pesquisador científico do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, confirma a necessidade do produtor aplicar mais tecnologia aos recursos já existentes. O agroturismo, segundo ele, cresce consideravelmente no Circuito das Frutas, do qual Jundiaí faz parte. “A melhor saída é uma profissionalização cada vez maior da nossa agricultura, disponibilizando ferramentas que permitam o aumento na renda e na qualidade, sem que isso represente degradação ambiental ou interferência na saúde das pessoas. É o nosso papel”, salienta o pesquisador, enaltecendo o trabalho focado na visão ambiental.

Com projetos em parceria com a iniciativa privada e institutos de pesquisas, Ramos ressalta a importância dos treinamentos oferecidos aos produtores. Nos últimos 12 anos, segundo ele, já foram 65 mil agricultores atendidos. Dessa forma, Jundiaí é hoje referência em qualidade nessa área.

Venda direta dá impulso ao setor
O produtor Ricardo Sibinel, 42 anos, vive com sua família numa propriedade agrícola localizada no bairro Caxambu, um dos mais tradicionais em Jundiaí. No sítio de aproximadamente 1 alqueire produz uva, que é o carro-chefe, além de caqui e outras culturas, em menor escala.

Na avenida próxima ao sítio comercializa seus produtos em uma banca, com licença de funcionamento junto à prefeitura. Tem apenas um funcionário, já que a família toda é envolvida no trabalho, ou seja, a esposa, uma filha e o pai, de 89 anos, a quem Ricardo faz questão de remeter todo o seu sucesso. “É a cabeça forte do negócio, com a experiência e ensinamentos que nos transmitiu para que tudo continue dando certo”, comenta Ricardo.

A venda direta, sem atravessadores, permitiu nos últimos anos a estabilidade e sustento, inclusive com elevação na receita em determinados períodos. Os investimentos são necessários para garantir a qualidade e eficácia de todo o processo. “Fazemos a adubação adequada no solo e cobertura, além da poda verde, cuidados que valorizam e permitem a produção também no meio do ano”, diz ele, que tem na propriedade dez mil pés de uva, de várias qualidades, tanto de mesa quanto para a produção de vinho.

No local a família também tem uma adega, onde comercializa seus vinhos produzidos artesanalmente. De quinta-feira a domingo, segundo ele, o movimento é triplicado com a presença de turistas, vindos de várias cidades da região e também da capital paulista.

De acordo com Amarildo Martins, presidente da Cooperativa Agrícola dos Produtores de Vinho de Jundiaí, o perfil do agronegócio local mudou de forma significativa, o que reforça a tendência de melhoria na qualidade dos produtos oferecidos. “Temos duas colheitas de uva ao ano. Com a poda verde garantimos uma boa produção no meio do ano, o que favorece a produção de vinhos. Além disso, as ações focadas no turismo nos permitem alavancar e expandir os negócios, gerando boas expectativas para os próximos anos”, revela o presidente.

ADEGA SIBINEL RICARDO SIBINEL


Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/tecnologias-elevam-a-receita-no-agronegocio/
Desenvolvido por CIJUN