ESPAÇO

Sonda da Nasa pousa com sucesso em Marte

A sonda InSight, da Nasa, realizou seu pouso em Marte de forma bem-sucedida nesta segunda-feira (26). A espaçonave fez a entrada pela atmosfera e desceu na região planejada, em Elysium Planitia, próximo ao equador do planeta vermelho. O sinal que confirmou o pouso bem-sucedido chegou ao controle da missão, em Pasadena, na Califórnia, às 17h52min59s (de Brasília).
Poucos minutos depois, surgiu a primeira foto, feita ainda com a tampa protetora da lente da câmera, bastante suja pela poeira levantada durante o pouso. Ela já revela as nuances do local de pouso e, como planejado, o módulo desceu numa região bastante plana, ideal para os experimentos (e mais segura para a descida).
Daí se seguiu, automaticamente, o início das operações em solo, que envolve em primeiro lugar a abertura dos painéis solares, sem os quais se torna impossível recarregar a bateria da sonda. Uma vez isso feito, ao longo de algumas horas, a InSight iniciará um registro fotográfico detalhado de seus arredores e aí cientistas e engenheiros trabalharão juntos para decidir onde, no solo, instalar o sismômetro e a perfuratriz embarcados na sonda -um processo que levará meses.
O custo total do projeto é de US$ 829 milhões e, se tudo correr bem, a InSight deve operar por pelo menos dois anos na superfície de Marte.
Este é o quinto pouso seguido bem-sucedido da Nasa no planeta vermelho. A última falha foi em 1999, com a Mars Polar Lander. Desde então, desceram à superfície os jipes Spirit e Opportunity (2004), a sonda Phoenix (2008) e o jipe Curiosity (2012). A agência espacial americana segue sendo a única organização até hoje a promover missões de solo bem-sucedidas por lá. E, com o sucesso, agora finalmente temos um empate entre missões de pouso marcianas bem-sucedidas e fracassadas: de 16 tentativas, 8 deram certo.
“Hoje, pousamos com sucesso em Marte pela oitava vez na história humana”, declarou Jim Bridenstine, administrador da Nasa. “A InSight estudará o interior de Marte e irá nos trazer ciência valiosa conforme nos preparamos para mandar astronautas para a Lua e depois para Marte. Esta realização representa a engenhosidade dos EUA e de nossos parceiros internacionais, e serve como um testamento da dedicação e perseverança de nossa equipe. O melhor para a Nasa ainda está por vir, e virá em breve.”
Também viajaram com a InSight duas miniespaçonaves, chamadas de MarCO-A e B. Eles são o que os engenheiros chamam de cubesats, satélites do tamanho de caixas de sapato desenvolvidos a um baixo custo, mas com ambições cada vez maiores. A função dos dois MarCOs foi acompanhar o pouso da InSight e, aparentemente, eles conseguiram, retransmitindo os dados colhidos para a Terra. Eles agora seguirão em órbita ao redor do Sol, se afastando de Marte, tendo cumprido a importante tarefa de validar o uso dessas tecnologias miniaturizadas em missões interplanetárias.
O pouso da InSight também foi acompanhado diretamente pelas antenas da Deep Space Network, da Nasa, além das orbitadoras Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter, nos arredores de Marte. O MRO, por sinal, clicou uma foto durante a descida. Se o apontamento foi preciso, ele deve ter registrado a cápsula da InSight com o paraquedas aberto, a caminho do chão.
A missão consiste em um módulo de pouso estacionário que colocará diversos instrumentos na superfície de Marte. Um sismômetro medirá “martemotos” – terremotos marcianos – e com isso será capaz de investigar a estrutura interna do planeta vermelho.
Uma perfuratriz fará uma penetração a até 5 metros de profundidade para medir quanto calor ainda flui do interior de Marte para a superfície. Câmeras ajudarão a medir oscilações no eixo de rotação marciano ao longo de sua órbita em torno do Sol.
Por fim, uma estação meteorológica medirá ventos e temperatura na atmosfera marciana no local de pouso.
O objetivo é usar os terremotos como sinais para a realização de uma “radiografia” do planeta, o que permitirá descobrir o que há em seu interior. São dados fundamentais para entender porque o planeta vermelho teve um destino bem diferente da Terra, embora tenha começado muito parecido, e também a estimar a quantidade de calor ainda existente em seu interior, que pode ou não ser capaz de manter ambientes habitáveis para microrganismos no subsolo.

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