CULTURA & LAZER
Jundiaí, 11 de dezembro de 2017
23/02/2016 15h37 - CINEMA

Diferentes facetas brasileiras na 66° Berlinale

Da Redação
redacao@jj.com.br
© Sandra Mezzalira Gomes
Considerado o festival de cinema mais importante da Europa, o Brasil marcou presença novamente com documentários e longas inspirados na realidade

Por Sandra Mezzalira Gomes, de Berlim, especial para o JJ

O 66° Festival Internacional de Cinema de Berlim, a Berlinale, encerrou-se neste domingo, mas, para a maioria dos 434 filmes exibidos durante os dez dias de evento, a Berlinale é um início. E para 187 filmes é, literalmente, “o início”, já que foram exibidos pela primeira vez para o público. Considerado o principal evento europeu, foram mais de sete mil produções que se inscreveram para participar este ano. O Brasil não conseguiu estar entre os 18 longas que concorreram ao cobiçado Urso de Ouro, mas esteve presente nas sessões Panorama, Shorts (Curtas) e Forum Expanded.

Na sessão “Panorama”, o público participa ativamente, votando para o melhor filme. Foi nela em que o Brasil mais marcou presença neste ano. O longa “Curumim” documentou parte dos onze anos que o brasileiro Marco “Curumim” Archer passou na prisão, na Indonésia, condenado à morte por ter traficado 13 quilos de cocaína escondida nos tubos da sua asa delta. O caso foi noticiado várias vezes no Brasil, e gerou debate sobre a pena de morte.

Com várias cenas filmadas pelo próprio Curumim na Indonésia, intercaladas com reportagens, fotos e filmes de arquivo pessoal no Rio e em outras grandes capitais, depoimentos e cenas produzidas pelo diretor, o resultado foi uma produção atraente e interessante, que induz inevitavelmente à reflexão. Marcos Prado, o responsável pelo filme, contou para a platéia que é fotógrafo e conheceu Curumim no Rio de Janeiro. Ele, após ser preso, teria então pedido a Marcos para fazer um documentário sobre a vida dele. “Quis humanizar o Curumim e ainda deixar a mensagem dele para os jovens, de não fazerem o que ele fez”, declarou também à imprensa.

Falou ainda sobre a descriminação da maconha e da empatia que foi adquirindo com Curumim nos três anos em que se falaram semanalmente pelo telefone para produzirem o filme. “Foi o meu primeiro trabalho para o cinema”, disse o cineasta que estreou seu longa de 106 minutos no festival. Já Anna Muylaert voltou, pelo segundo ano consecutivo, para Berlim. Desta vez, em “Mae só há uma”, ela retrata, em oitenta e dois minutos, o drama do adolescente Pierre e sua suposta irmã, que descobrem terem sido roubados na maternidade em São Paulo. Pierre tem então 17 anos e tanto ele quanto a “irmã” foram criados pela “ladra”, a quem consideram mãe.

O drama de Pierre, desde a separação da (até então) sua mãe e irmã, até a integração na nova família biológica, os conflitos gerados pela adaptação e outras dificuldades da sociedade brasileira são ali tematizados. “Existe um grupo de mães que se encontra na Sé para debater o assunto, isso é infelizmente muito comum no Brasil”, comentou o ator principal Naomi Nero, na última quarta feira, na sessão das 22:30, após ter comparecido também a recepção da Embaixada Brasileira.

A cineasta Anna Muylaert foi agraciada com o prêmio do público na Berlinale de 2015, com o filme “A que horas ela volta?”, no qual abordou a realidade das empregadas domésticas e diferenças sociais. Com Regina Casé no papel principal, o filme teve sucesso e estreou no Brasil apenas alguns meses após a 65° Berlinale. Este ano, ganhou na última sexta-feira um dos troféus da 30° edição do Teddy Awards, prêmio voltado ao público LGBT.

Com belíssimas imagens do Amazonas, Sergio Andrade e Fabio Baldo inspiraram-se na vida de Anderson, integrante de uma comunidade indígena, que se divide entre a “civilização do homem branco” e a vida e rituais da aldeia, para fazer o longa “Antes o tempo não acabava”. O jovem se esforça pra se comunicar no dialeto indígena e em português, em conciliar as novas descobertas sob diversos aspectos, em cuidar da família e suas raízes culturais. Sutilmente, o “documentário ficção” expõe, em oitenta e cinco minutos, fraquezas de funcionários de Ongs e da burocracia brasileira, curiosidades e crueldades de ambas culturas, além de um íntimo olhar no cotidiano de um indígena em Manaus.

Ainda no Panorama, a produção da alemã Monika Treut “Zona Norte” registrou parte do cotidiano atual no Rio de Janeiro, incluindo os protestos e as Olimpíadas, por meio do Projeto Uerê. Além de explicar o funcionamento da pedagogia adotada pela entidade que trabalha com crianças da favela, o longa mostra em noventa minutos vários aspectos da sociedade brasileira que vive entre o conflito policial-traficante e a luta pela sobrevivência.

No segmento Shorts (Curtas), o Brasil participou com “Das Águas que passam”, de Diego Zon, que conta a história de um pescador no Rio Doce, filmado antes da tragédia ambiental que atingiu o rio, no interior de Minas Gerais. O casal Melissa Dullius e Gustavo Jahn conseguiram ainda ser selecionado para a sessão Forum Expanded com o longa “Muito Romantico”, uma produção quase que “auto biográfica”, inspirada em suas próprias trajetórias e experiências, trazendo para as telas a dor e delicia de emigrar, explorar um novo mundo e tentar, mesmo assim, continuar caminhando juntos enquanto se amadurece neste processo.

Se, desde 2014, o Brasil não concorre ao cobiçado Urso de Ouro (“Praia do Futuro” foi o último indicado), o pais continua conquistando seu espaço na concorrida Berlinale e estreando trabalhos, que agora estão prontos para serem mostrados à quem quiser ver as suas diversas facetas.

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