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Jundiaí, 17 de outubro de 2017
07/01/2017 20h36 - DESTAQUE

Morre aos 92 anos o presidente Mário Soares, pai da democracia portuguesa

Da Folhapress
redacao@jj.com.br
Mário Soares, presidente e primeiro-ministro de Portugal, morreu neste sábado (7) em Lisboa aos 92 anos. Ele estava internado em estado grave desde 13 de dezembro. O motivo da morte ainda não foi divulgado pelos médicos ou pela família. Soares foi uma das figuras mais importantes da história recente portuguesa e participou de momentos-chave do país, como a fundação do Partido Socialista de Portugal e o combate ao regime de António de Oliveira Salazar, que durou de 1933 a 1974.

Figura controversa entre portugueses, ele nasceu em 1924 e formou-se em direito. Soares filiou-se ao Partido Comunista aos 18 anos, durante sua passagem pela universidade, mas deixou as fileiras poucos anos depois. Em 1964, o futuro presidente fundou a Ação Socialista, que seria o embrião do futuro Partido Socialista. Após repetidos atritos com o regime português, ele foi detido 12 vezes e expulso do país. Ele foi levado a São Tomé e Príncipe, na época colônia de Portugal, antes de partir para o exílio na França.

Soares voltou a Lisboa logo após a Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974, e é creditado por ter assentado as bases do que seria o Estado democrático português, de que é dito pai. Uma das críticas mais frequentes ao ex-presidente foi como ele lidou com o processo de desmonte da colonização portuguesa e como tratou do retorno de quase 500 mil cidadãos, parte deles restabelecidos precariamente.

Soares foi eleito premiê do país em 1976 -o primeiro governo constitucional- e em 1983 e é visto como um dos responsáveis pela adesão do país à instituição que antecedeu a União Europeia, bloco econômico que ajudou a devolver Portugal ao cenário internacional. Sua contribuição inclui, ainda, a ampliação do ensino público. Soares tornou-se presidente em 1986 e governou por dez anos. Ele concorreu para um terceiro mandato em 2006, mas não foi eleito, e desde então afastou-se da política -apesar de ter mantido sua constante crítica aos seus sucessores.

Funeral - Os rituais fúnebres irão tomar três dias, segundo o jornal local "Público". Nos dois primeiros, o corpo de Soares estará no refeitório do Mosteiro dos Jerônimos. Agnóstico, ele não será velado em capela e tampouco haverá missa de corpo presente. Soares será levado no terceiro dia a uma cerimônia com a presença da família e do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, antes de um cortejo fúnebre.

Em nota, Rebelo de Sousa evocou os momentos históricos de Mário Soares, em especial a resistência no exílio e a volta a Lisboa. "A sua causa foi sempre a liberdade. No que ele era decisivo sempre foi vencedor. Esteve disponível para liderar o governo em dois momentos graves", disse.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou que Portugal perdeu "aquele que foi tantas vezes o rosto e a voz de nossa liberdade". "Fê-lo contra a ditadura e com isso sofreu a prisão, sofreu a deportação e sofreu o exílio." Costa decretou três dias de luto nacional, mas não participará do funeral por estar em visita de Estado à Índia até sexta. A decisão recebeu o apoio do Ministério das Relações Exteriores.

O não cancelamento da visita acaba evocando o próprio Mário Soares. Ele não interrompeu uma visita à Hungria e à Holanda em 1989 quando seu filho, João, estava internado na UTI de um hospital sul-africano após sofrer um acidente de avião em Angola.

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