ESPECIAIS
Jundiaí, 24 de outubro de 2017
05/08/2017 20h00 - CRENÇA

Agosto só é ‘desgosto’ para quem acredita

Felipe Cereser
grupo.redacao@jj.com.br
© Alexandre Martins
TARÓLOGA - Aline Micelli diz que culpar agosto se tornou uma maneira mais fácil de encontrar justificativas, ao invés de analisar o que ocorre
Para muitos supersticiosos, agosto é considerado um mês trágico e até o “mês do cachorro louco” ou do “desgosto”. A origem dessa negatividade em torno do período pode ter sido trazida pelos colonizadores portugueses, já que muitos homens se lançavam ao mar neste mês, e acabavam sem regressar à terra natal deixando parentes, esposas e filhos órfãos. Há quem diga, porém, que os romanos, no século 1, já vislumbravam um certo misticismo nesses 31 dias. Outros acreditam que, por ter sediado o início da Primeira Guerra Mundial e o lançamento das duas bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki – acontecimentos que mudaram o rumo da humanidade – o mês é diferenciado, e aqui no Brasil esta imagem ficou ainda mais fortalecida depois que, em 24 de agosto de 1954, o então presidente Getúlio Vargas se suicidou, causando enorme comoção nacional.

Banhos com folhas de arruda, levante, manjericão e alecrim, orações, velas brancas ou até um pouco de pipoca oferecida a Omulu (orixá responsável pela saúde) retiram toda negatividade que permeia o mês, segundo Lourival Carlos de Souza, de 50 anos. Babalorixá da nação ketu na casa de cultura e tradições “Ylê Asé Omo Oloofamy”, em Louveira, Pai Carlos, como é chamado, está há 32 anos no candomblé e atribui a superstição ao pessimismo que o próprio ser humano tem. “Minha religião cultua Deus e os orixás, e a primeira coisa que eles (orixás) nos ensinam é ser positivo, porque o pessimismo faz prevalecer o que há de ruim e, se você pratica e pensa o bem, este bem retornará a você”.
Dessa forma, com pensamento positivo não há mês “pesado” ou de agouro.

Mesmo assim, contra um agosto desesperador, Pai Carlos faz algumas recomendações. “Ao se levantar, não fale nada. Beba alguns goles de água, eleve seu pensamento a Deus e diga: eu mereço, eu sou filho de Deus, amado por Ele e Deus quer o melhor para mim”, orienta. Ele ainda indica que separar três maçãs e colocá-las num prato fundo, juntamente a algumas moedas, cravos, paus de canela e folhas de louro, por certo tempo, desde que feitos com boa mentalidade, trazem melhorias ao campo do trabalho e também ao aspecto financeiro. “Alguns conselhos e revelações no jogo de búzios, desde que feito por alguém equilibrado e ético, também auxiliam”, conta.

A taróloga Aline Micelli, 37 anos, atribui ao psicológico de cada um a construção de um “agosto de desgosto”. Para ela, as pessoas oferecem uma “energia desnecessária” ao mês, que não condiz com a verdade, além do fato de que este período marca uma proximidade com o final do ano, o que pode gerar pressa e ansiedade. “Sou especializada em técnicas de leitura de arquétipo, estabelecidas pelo psiquiatra suíço Jung, e ele mostra muito disso, como várias pessoas passam a pensar no mesmo e a criar algumas coisas”, analisa. Aline acredita que “culpar agosto” se tornou uma maneira mais fácil de encontrar justificativas, ao invés de “analisar internamente o que está ocorrendo”, diz.

Na opinião do padre Márcio Felipe, não existe um mês ruim para os católicos. “De janeiro a janeiro, tudo é abençoado por Deus.” 

Questionado se algo de místico foi trazido pelos jesuítas e cristãos durante o período de Brasil colônia, padre Márcio diz que não há nenhuma superstição que permeie a crença ou a catequização na religião.

Comente esta matéria 2 comentários
Dawkins 08/08/2017 18:00:16
Eta falta de pauta, hein?

É por isso (na verdade um dos motivos) que Jundiaí (e o povo brasileiro) é uma cidade atrasada: creem nessas bobagens e acham que contos de fada, de orixás, de santos etc etc etc têm alguma influência na vida das pessoas.

Bando de gente que gosta de viver em ilusões!
Dawkins 08/08/2017 18:07:35
Sem contar a última frase da "reportagem": "... padre Márcio diz que não há nenhuma superstição que permeie a crença ou a catequização na religião."

????????????????????

Tipos como esse comandam a massa que ouve e diz sim... Pobres.
Seu telefone e e-mail NÃO serão publicados!
* Campos obrigatórios! (caracteres restantes: 1000)
Li e estou de acordo com os termos e condições de uso do portal.
Outras notícias sobre ESPECIAIS LISTAR TODAS
JORNAL DE JUNDIAÍ
política de privacidade anuncie conosco
editorias



Empregos e Concursos
Especiais


Motor
Mundo
Opinião
Polícia
Política
Repórter JJ
Turismo
cidades
Jundiaí
Região
entretenimento

Cultura & Lazer
Théo Faz & Acontece
esportes
tv jj


Na Ponta da Língua
Notícias
Periscope
Salão Duas Rodas

grupo jj
Fale Conosco
Repórter JJ
Quem Somos
Expediente
Anuncie
Assine o Jornal
Gráfica JJ
Termo e
Condições de Uso
2014 © Jornal de Jundiaí - Todos os direitos reservados.
Acesse:
Projeto Gráfico: Marcelo Savoy | Desenvolvimento: //sithes.com