JUNDIAÍ
Jundiaí, 23 de setembro de 2017
10/09/2017 06h00 - A CULPA NÃO É DA VÍTIMA

Os relatos dramáticos de quem foi estuprada

Niza Souza
csouza@jj.com.br
© Dramatização
Irene*, 25 anos, voltava para casa a pé após o trabalho. Eram 7 da noite. Ela vestia o uniforme da loja. Nenhuma roupa que chamasse a atenção. Percebeu a presença de dois homens suspeitos, achou que pudesse ser assaltada. Um deles realmente assaltou uma moça que andava próximo a ela e fugiu.

O outro se aproximou dela, tampou sua boca, agarrou seu pescoço e repetia “hoje você vai ser minha namorada”. Ele tinha uma faca e a ameaçou. Foi salva pelo marido que a esperava ali perto. “Você quer correr e não consegue. É uma sensação horrível. Me senti humilhada. Estou com medo de sair de casa, desconfio de todo mundo. Mesmo assim, fui até a delegacia para registrar a ocorrência.”

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Jaqueline*, 30 anos, participava de uma festa de aniversário na casa de amigos. Só com pessoas conhecidas. Quando percebeu que havia bebido demais, resolveu dormir em um dos quartos da casa. Acordou sem algumas peças de roupa, com o sutiã aberto e um amigo em cima dela. No começo, ainda meio atordoada, achou que pudesse ter consentido. Mas não.

Ela estava inconsciente e foi violentada. Depois disso, soube que esse mesmo amigo já havia abusado de outras mulheres da mesma forma, se aproveitando da situação. “Já faz um ano e meio. Entrei em depressão e faço terapia e tratamento psiquiátrico até hoje. Não consegui mais me relacionar com nenhum homem. É triste ver a que ponto chega uma pessoa que você confia. E mais triste ainda saber que a gente naturaliza esse tipo de situação. Não tomei nenhuma medida judicial. Estava muito fragilizada e me sentia culpada. Minha vida nunca mais foi a mesma. Até o relacionamento com meu pai ficou estranho, a figura masculina me causa insegurança.”

Carolina*, 24 anos, sofreu abuso durante um ano de um orientador na faculdade. Além de mensagens no celular, quando estava no laboratório ele criava situações para ficarem sozinhos. “Chegou a passar as mãos em minhas pernas, peito e uma vez tentou me abraçar por trás enquanto estava arrumando minha mochila, mas acabei esquivando. Não denunciei porque eu achava que era coisa da minha cabeça. Só consegui conversar com alguém vários meses depois. No começo fiquei um pouco enojada de mim e me sentindo culpada. Uma por não tomar atitude de dizer não, e outro porque comecei a questionar o tipo de roupas que usava mesmo não sendo roupas que marcavam o corpo. Isso foi há dois anos. Mas ainda tenho algumas sequelas. Ano passado tive um orientador novo e no começo ficava incomodada com ele na sala.”

O nome das vítimas acima são fictícios. Não é fácil para nenhuma mulher falar sobre violência sexual. Mas as histórias são reais e todas têm algo em comum: o sentimento de culpa.

Comente esta matéria 7 comentários
Lucas 10/09/2017 08:50:18
Vc pode perceber que muita coisa pode ser evitada... Ficar achando que é culpada não resolve, denuncie, se não resolver com a polícia , procure uma boca, ou um traficante... O que não pode é esses Jack ficarem soltos em impunes.. denuncie meninas...vai ser muito melhor depois.. vao se sentir livres
Eva 10/09/2017 10:24:17
Sei o que é ser vítima de estupro ,sofri isso dentro de casa,com a conivência da minha mãe, é o pior não era meu padrasto e sim meu pai ,já se pararam muitos anos casei tenho uma filha mas a ferida não cicatriza .Quando me lembro do ocorrido ainda sofro muito
Reinaldo Oliveira 10/09/2017 10:35:42
Triste ... muito triste. Reflete apenas uma realidade que "as autoridades", disfarçam, maquiam a realidade cruel com numeroso fantasiosos e a população ignorante, aceita e não luta por seus direitos. Numa palestra nesta semana, foi revelado números impressionantes de Jundiaí, principalmente sobre a puja~ça e riqueza da cidade. Mas por outro lado também de uma cidade conservadora, que exclui a parcela mais necessitada em guetos bem distant6e da gente rica, cheirosa e perfumada. Hoje já é possível ver claramente a desigualdade social crescente e absurda com muitos bairros de gente "chic e perfumada" se fechando, se isolando, colcando mil cadeados, e breve Jundiaí será "estilo medieva", com seus muros de "ignorância rica e oerfdunada" isolando-os. Mas a triste realidade aí está. Cruz credo, vade retro ....
Lázaro 14/09/2017 12:40:43
Sr. Lucas denunciar para traficantes? Esta atitude só fomenta e idolatra bandidos!
E o que eles poderiam fazer? Procurar no banco de dados dos bandidos? Como identificar se o bandido fugiu!
Nem tem lógica, denunciar bandidos para bandidos?!
Lázaro 14/09/2017 12:44:22
É uma pena mas o jornal deveria/poderia notíciar todos os casos, endereços e locais para que sirva de alerta para outras mulheres e que possamos cobrar as autoridades!
E acompanhar os casos!
Como o caso daquela advogado estrupada perto da rodoviária na Av. Nove de Julho com Anhanguera?!
silvia. 15/09/2017 15:26:08
Comigo ja fazem quase 25 anos que fui estrupada quando estava a caminho do trabalho. E o que tenho a dizer da minha experiencia é que alem de tudo o que vc passa de todo sofrimento, vc ter que lidar com a desconfianca e questionamento das pessoa é algo que doi demais ! Eu sofri com isso desde o medico ao delegado e partes de amigos e familia. Como aqui era um bairro tido com tranquilo as pesssoa duvidavam e achavam que eu tinha feito sexo com alguem que havia ficado e inventei isso por causa do meu pai que era muito rigidopra estar precavida caso engravidasse por ex!! Isso eu ouvi do delegado que conhecia meu pai..Enfim foram anos de sofrimento hoje conto como se nao tivesse acontecido mas tenho muito medo de passar por isso novamente pois a violencia só aumeta
Bruna 15/09/2017 20:50:11
Eu tbm fui abusada quando era uma criança, eu tinha um professor de reforço, sofro calada até hoje. Sou casada, tenho filho, mas tenho nojo, tristeza só de lembrar. O fdp era um homem jovem, estudado, viajava muito, tinha uma linda noiva, como fazia comigo devia fazer com outras crianças. Minha mãe pede perdão até hoje, acha que me entregava para aquela pessoa podre, me obrigava a ter aulas com eles, achava que toda vez eu não queria ter aula com ele, era por preguiça, mas eu tinha medo. Um dia tomei coragem e contei pra minha mãe, a 20 anos atras, não tinhamos a visão de hoje.
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