JUNDIAÍ
Jundiaí, 24 de outubro de 2017
07/10/2017 23h01 - APÓS CÂNCER

Paciente tem direito de optar por reconstrução imediata da mama

Niza Souza
csouza@jj.com.br
© Fabiano Maia/Jornal de Jundiaí
“Quando o médico me deu o diagnóstico eu saí do ar. Não conseguia mais assimilar o que ele falava.” Foi assim que a dona de casa Claudete Pires Mattiassi, de 45 anos, reagiu ao saber que estava com câncer de mama. “Demorei uns três meses para entender o que estava acontecendo comigo”, lembra ela, sem conter as lágrimas. Isso já faz quatro anos, mas ela ainda se emociona ao contar sua história.

Com um tipo de tumor agressivo de quase três centímetros, chamado triplo-negativo, “com nome e sobrenome”, como ela mesma define, a cirurgia de mastectomia (retirada da mama) era inevitável. A enxurrada de informações a impediu de decidir, naquele momento, sobre a cirurgia de reconstrução. “Fiquei muito assustada. Na hora, só queria resolver logo e tirar o tumor e não pensei na estética”, diz ela, que fez uma mastectomia parcial.

Depois da cirurgia, o tratamento foi longo, com 16 sessões de quimioterapia e 30 de radioterapia. E a decisão pela reconstrução foi ficando de lado. Hoje, ela ainda resiste à ideia. “Tenho medo de fazer uma nova cirurgia. Não quero mexer onde está bem. Ainda estou pensando”, conta.

Uma lei federal garante a cirurgia de reconstrução de mama imediata para pacientes mastectomizadas. Mas, na prática, a realidade é diferente, principalmente para quem depende do Sistema Único de Saúde (SUS).

“É um problema de falta de financiamento da saúde pública que ocorre em todo o País. E em Jundiaí não é diferente. Muitas mulheres ainda não conseguem fazer a cirurgia reconstrutiva imediatamente na retirada da mama”, diz o mastologista João Bosco Ramos Borges, do Hospital Universitário (HU), referência nesse tipo de cirurgia pelo SUS em Jundiaí.

Segundo ele, não há nenhum tipo de restrição para a cirurgia imediata. “Emocionalmente, retirar a mama, um símbolo de feminilidade, é devastador para a mulher. Todas as pacientes submetidas à mastectomia poderiam e deveriam fazer a reconstrução imediatamente”, frisa.

Ele destaca que há estudos que confirmam que o tratamento das pacientes reconstruídas evolui melhor comparado a não reconstruídas no mesmo estágio da doença. “A mama refeita melhora a auto-estima da mulher e isso reflete melhora, inclusive, na imunidade.”

A assistente administrativa Talita Porto, de 34 anos, foi diagnosticada no fim do ano passado. Depois de 16 sessões de quimioterapia, em julho foi submetida à mastectomia total e conseguiu optar pela reconstrução imediata. O tratamento está sendo feito por meio de convênio particular. “Todo o processo, o tratamento, é tão difícil. Desta forma, é uma cirurgia a menos que terei de passar”, diz.

Ela conta que não tem nenhum caso da doença na família, por isso, ficou surpresa com o diagnóstico. “Até cogitei com o médico de retirar as duas mamas para não ter mais problemas, mas ele disse que não era necessário. Não tive complicação com essa cirurgia. Optei pela saúde.”

Diagnóstico precoce
O mastologista destaca que o diagnóstico precoce tem reduzido cada vez mais o número de mastectomias. Na década de 1980, exemplifica Bosco, todas as pacientes com câncer de mama eram submetidas à cirurgia. Hoje em dia, é a minoria. Mas ele acredita que no Brasil ainda é preciso melhorar o rastreamento da doença.

“Infelizmente, muitas mulheres não vão ao ginecologista e ainda têm medo de fazer a mamografia. Essas mulheres estão chegando ao médico com a doença em estágio avançado. A cada 100 mulheres que deveriam fazer o exame, apenas 30 fazem”, lamenta.

Sistema público
Em Jundiaí, pelo SUS, as cirurgias de mastectomia e de reconstrução mamária são realizadas no Hospital Universitário. Nos últimos 12 meses, 13 mulheres mastectomizadas passaram pela cirurgia de reconstrução no hospital.

Questionada sobre o procedimento para a cirurgia de reconstrução de mama imediata, a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde do município informa que essa cirurgia é garantida para todas as mulheres submetidas ao tratamento do câncer de mama, mastectomizadas.

“A legislação é seguida exatamente cumprindo o requisito de indicação técnica. Nesses casos, que são exceção, a reconstrução é realizada no mesmo momento da mastectomia”, afirma a unidade, em nota. Reforçando que normalmente a cirurgia reconstrutiva ocorre após o tratamento, “quando a paciente estaria liberada”.

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