ECONOMIA
Jundiaí, 24 de outubro de 2017
13/10/2017 06h00 - BEM ESTAR

Trabalhar depois dos 50 anos é opção para a saúde mental

Gustavo Amorim
gamorim@jj.com.br
© Alexandre Martins
Sem despertador, Paulo Ogata abre os olhos e levanta todos os dias às 2h da madrugada. Depois de um banho rápido e o café para a família, ele se dirige à feira livre, onde ajuda desde a montagem das barracas até subindo na mesa para colocar os fios de energia.

Entre um cliente e outro, seu Paulo escreve uma história que já dura mais 50 anos. Ele trabalha na feira há todo esse tempo e desde 1984 é aposentado, mas não perde o pique. "Se eu parar, eu morro", brinca o sorridente senhor de 84 anos. 

Seu Paulo é só mais um dos 36% de brasileiros com mais de 50 anos que seguem no mercado de trabalho. Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e traz várias nuances sobre esse nicho. Desse total, 36% trabalham por conta própria, 32% são empregados do setor privado, 15% são funcionários públicos, 9% são domésticos e 8% empregadores.

Do total, 81% acreditam existir preconceito contra os mais velhos no mercado de trabalho. Presidente do Conselho Municipal da Pessoa Idosa, Milton Calvazara destaca que empresas estão procurando o órgão em busca de mão de obra.

“Nós já recebemos duas empresas que estão buscando pessoas a partir de 50 anos. Na última vez que tivemos lá no Ciesp, também colocamos essa questão junto à diretoria. Com a diminuição da natalidade, e também pela força jovem de trabalho estar buscando outros campos, abre-se esse espaço para os mais velhos. É necessário lembrar da experiência que essa pessoa idosa tem. Há muito o que oferecer”, disse.

Em Jundiaí, não há dados sobre quantas pessoas com mais de 50 anos estão no mercado de trabalho. Levando-se em conta apenas a população idosa (segundo o censo de 2010 do IBGE, de 50 mil pessoas,13,34%), 18 mil jundiaenses batem ponto ou trabalham por conta própria em qualquer tipo de serviço.

Dentre as pessoas pesquisadas no estudo, 65% afirmaram que trabalham mais que 30 horas semanais. Outros 55% acreditam que trabalham numa intensidade igual ou maior do que anos atrás. É o caso da dona Maria Aparecida Urel, de 63 anos. Ela trabalha há 44 na padaria que montou junto com o marido, hoje já falecido.

"Eu sou aposentada. Conseguiria viver sem luxo só com esse valor. Mas eu trabalho para manter a cabeça ocupada. Hoje tá muito difícil, prefiro muito mais trabalhar e ajudar do que ficar fazendo nada em casa", conta.

Dona Aparecida e o seu Paulo certamente ainda tem muito à oferecer tanto à família quanto à sociedade. E o seu Paulo deixa um recado aos mais novos. "Os jovens estão gastando dinheiro com o que não vai ter retorno. Eles precisam pensar no futuro", afirma.

Comente esta matéria 1 comentário
Marcus 13/10/2017 11:11:57
Enquanto o desastroso do governo não tem política para amparo, descente, as pessoas mais idosas, nossos jovens ficam perdidos pelas ruas, entregues a própria sorte e sendo iscas fáceis para os trafiqueiros. Lamentável.
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