POLÍCIA
Jundiaí, 12 de dezembro de 2017
06/12/2017 20h36 - VÁRZEA PAULISTA

Polícia Civil tenta amenizar drama de pais idosos reféns de filho viciado

Geraldo Dias Netto
gnetto@jj.com.br
© Arquivo JJ
Marcel Fehr resolveu, nos dois casos, não arbitrar fiança após ameaças
O caso é semelhante a muitos outros. Um filho usuário de drogas, pais idosos agredidos e ameaçados com frequência para manter o vício do parente. Três vidas entrelaçadas em uma trama que se perdura por anos, sem um final feliz aparente.

Em Várzea Paulista, a Polícia Civil acompanha um desses dramas. Um delegado tenta mitigar a aflição do casal de idosos. Por duas vezes, mandou para trás das grades o filho. Na primeira, a Justiça o soltou no dia seguinte à prisão. Na outra, concordou que o acusado ficasse preso apenas após o descumprimento de uma medida cautelar decretada pelo próprio Poder Judiciário.

Conforme explicou o delegado Marcel Fehr, responsável pelos dois autos de prisão em flagrante, além de idosos, são doentes os pais do viciado. Este, por sua vez, demanda do casal tanto o sustento do necessário cotidiano como de seu vício de drogas, que vai da maconha à cocaína e crack.

“Quando os pais não têm dinheiro para dar, ele ameaça de agressão. No passado, chegou a efetivamente a agredi-los, além de quebrar coisas da residência”, disse Fehr. Segundo o policial em um episódio recente, os idosos foram até a delegacia pedir ajuda. Desesperados, contaram sobre as ameaças feitas pelo filho, que por pouco não os agrediu por não conseguir dinheiro para se entorpecer.

“Mandei policiais de minha equipe para o local e eles conseguiram deter o rapaz e trazê-lo para cá. Eu o autuei em flagrante por ameaça e não concedi a liberdade provisória mediante fiança, uma vez que, além de ele já possuir antecedentes criminais, sua conduta de expor a risco a integridade física dos pais era constante”, contou o delegado.

Fehr considerou que, embora tenha entendido por não arbitrar fiança, o homem foi colocado em liberdade após audiência de custódia realizada no dia seguinte. “Passaram-se alguns dias, ele retornou à residência e o episódio se repetiu, ou seja, novamente exigiu dinheiro; como os pais não tinham, ele ameaçava agredir ambos.”

Em tal ocasião, segundo o delegado, a Polícia Militar foi acionada e deteve o rapaz, apresentando-o novamente à delegacia local. “Eu agi da mesma maneira, ou seja, o prendi em flagrante por ameaça e não concedi liberdade provisória, mesmo porque, quando da primeira autuação, os pais pediram medida protetiva e o juiz entendeu por bem conceder a liberdade provisória na audiência de custódia, mas impor decreto proibindo o rapaz de se aproximar da residência dos pais”, contou.

Dispositivo
Sobre a manutenção da prisão do acusado, Marcel Fehr explicou que há, no Código de Processo Penal (CPP), dispositivo legal que permite a prisão preventiva quando necessária a custódia para fim de ser respeitada medida cautelar já imposta que não venha sendo cumprida. É o que prevê o artigo 313, inciso 3º, do CPP.

“As vítimas já tinham em seu favor medida protetiva decretada e o autor a respeitou. Então, quando ele reincidiu, não pôde ser beneficiado com liberdade provisória, ao passo que sugerimos a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva”, observou o delegado.

Alternativa
Fehr considerou uma alternativa à sistemática atual, que prevê, grosso modo, apenas duas situações: a prisão ou a liberdade de acusados de delitos semelhantes, com exceção de casos bastante excepcionais.

“Para um rapaz como esse, talvez o local mais adequado, logo após a prisão, é uma clínica de desintoxicação. Por isso a necessidade da haver um programa social que se encaixasse nesse vácuo entre liberdade e prisão, resolvendo-se, por medidas alheias à segurança pública, muitos dos problemas que enfrentamos no dia a dia, além de evitar até mesmo a reincidência em alguns casos. No fundo, é preciso lembrar que o vício em entorpecentes é a causa de tudo isso”, finalizou o chefe da Polícia Civil de Várzea Paulista.

Comente esta matéria 4 comentários
WRM 06/12/2017 21:52:21
Esse Judiciário de Várzea ta de brincadeira!! Soltar o vagabundo ?
Tem hora que precisamos invocar os métodos antigos, dar uma bela camaçada de pau no nóia e deixa-lo quebradinho, de cama.
Quanto ao Judiciário de Várzea,já passou muito da hora de OXIGENAR, uma mudança total e geral seria salutar.
Rodrigo 06/12/2017 22:42:03
parabéns pela atitude do dr Delegado que merece todo nosso respeito agora vai uma dica manda esse maconheiro desgraçado pra casa do juiz ai o juiz cuida dele ah esqueci o juiz está esperando esse maconheiro desgraçado matar os PAIS ai depois que ele matar os dois idosos que para eles não existe lei só pro maconheiro enfim leva pra casa do juiz.
F. Luchini 07/12/2017 08:47:41
Concordo plenamente com sua posição WRM.
Nos dias de hoje, é muito MI MI MI, muito " politicamente correto" e não se resolve nada!!
Pegar esse drogado ai e arrebentar no cacete e depois mete-lo no xadrez.
Agora, que o judiciário de Várzea precisa de mudança, isso é notório.
Está perpetuado.
anonima 08/12/2017 12:12:14
Sabe-se que o controle do vício é difícil. Mas como nunca passei por isso, me parece que os drogados não se esforçam em nada para melhorar ou mudar isso. Pois estão vendo que os pais sofrem e fazem mais ainda para sofrerem? Enquanto sãos, será que não podem ter a humildade de pedir ajuda para se tratar? Muita dó desses idosos que deveriam estar sendo cuidados por esse filho, pela idade e por estarem doentes. E com isso, ficam ainda mais doentes, pelo sofrimento psicológico que tem que enfrentar. Podiam estar mais tranquilos se o vagabundo se esforçasse em ajudá-los de alguma forma. Sumir do mapa já seria uma solução, pois nesse caso creio que seria melhor a distância dos pais do que a causa de sofrimento para eles. Parabéns ao delegado que está fazendo de tudo para melhorar a situação. Um abraço delegado e idosos.
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