JUNDIAÍ
Jundiaí, 20 de janeiro de 2018
01/01/2018 15h16 - GERAÇÃO Z

A geração que nasceu em 2000 dita consumo

Gustavo Amorim
gamorim@jj.com.br
© Rui Carlos
Aos 17 anos, Bruna Barros não vê sentido em ir ao Centro fazer compras, e adquire tudo que pode pela internet
Se você tem mais de 25 anos certamente lembra com algum detalhe a mudança de século entre 1999 e 2000. Bug do milênio, internet discada.. realidades da época que contrastam muito com o que vemos da sociedade no início de 2018. E a geração que nasceu no primeiro ano do século 21 viveu praticamente a vida inteira já imersa com internet e celulares nas mãos - são chamados de nativos digitais - e têm toda uma forma particular de pensamento, de atitude.

Jovens que completam 18 anos em 2018 fazem parte da Geração Z (nascidos entre 1995 e 2010). Segundo a pesquisa de uma consultoria estrangeira (a Fung Global Retail & Technology), eles já correspondem a 26% da população mundial e são os ’comandantes’ de onde todo o consumo será direcionado na próxima década. Outra pesquisa, feita no Brasil pelas consultorias McKinsey e Box1824, demonstra que a nova geração se preocupa mais do que as anteriores (BabyBoomers, 1940/1959; Geração X, 1960/1979; Geração Y ou Millenialls, 1980/1994) em relação aos direitos humanos e temas como o feminismo. São menos religiosos, mais liberais e também preferem o diálogo constante em vez de qualquer tipo de confronto. "Só não vejo as coisas de uma forma tão linear quanto os mais velhos. Sei lá, apenas vejo os outros lados", conta Bruna Barros, de 17 anos.

"A geração que está chegando é diferenciada, como as outras também foram", afirma Elton Monteiro, presidente da Associação Comercial Empresarial (ACE) de Jundiaí. Ele afirma que, do ponto de vista comercial, os empresários/comerciantes/lojistas têm de entender a cabeça dessa juventude, que tem nos smartphones um acesso quase natural ao mundo. "É sempre um paradigma que precisa ser enfrentado pelos lojistas, principalmente os mais tradicionais. Vejo a tecnologia como algo comum para essas pessoas. Essa garotada chega na hora da compra já preparada, sabendo até mais que o próprio vendedor. Esse é um ponto importante", diz.

E é exatamente assim que Fernando Cillo, 17 anos, age. Ele confessa que não usa muito a internet para fazer compras, mas pesquisa o máximo antes de ir na loja física adquirir algum produto. "Prefiro muito mais o tato do que na internet. Só compro mesmo quando sei que não consigo ir ao Centro e adquirir lá". Bruna Barros, por outro lado, não se importa. Ela não vê necessidade de ir às lojas se pode fazer tudo via celular ou computador. "Tem uma espécie de ’cultura’ que acredita que somos ’anormais’ por não querer fazer coisas básicas como ir ao centro da cidade comprar sapatos. A praticidade da tecnologia é incômoda quando nos acomoda no sofá para fazer compras, eu acho. Não preciso perder esse tempo. Mas confesso que às vezes bate aquele desespero do tipo: "Mds meu deus, sic), a internet está me dominando, estou ficando dependente, socorro". Irmão gêmeo de Fernando, Guilherme também prefere as opções que o comércio eletrônico dá. "Se eu não achei algo que quero, fica muito mais fácil pesquisar ali mesmo do que ir em várias lojas", conta.

"Esse novo consumidor é muito influenciado pela reputação. Se ela preza pelo atendimento, pela entrega, pela qualidade, ela busca nas experiências anteriores. Ela tenta evitar erros. Essa moçada tem um sentimento de pertencimento de grupo no digital que é muito mais intenso do que no físico", afirma Elton Monteiro. O dirigente afirma que nem todos estão preparados para essa nova geração. "O sonho de hoje não é mais ter o carro. O sonho é viajar o mundo. É experiência. É uma característica diferente. O diferente sempre incomoda, claro. E não é só marketing. Também é um paradigma importante. Se a pessoa não tem um bom serviço, mesmo investindo em marketing, o jovem não quer. Ele busca o real, busca o coletivo também - como Uber e Airbnb. É essa garotada que está à frente.”

A geração nascida em 2000 também começa a entrar na faculdade e com mais intensidade no mercado de trabalho a partir de 2018. Alexandre Brambila é coordenador pedagógico do ensino médio em uma escola de Jundiaí e conviveu com tal faixa etária diariamente em 2017. Na visão dele, "é uma geração silenciosa, que vive mais para si do que para o outro, se expressam pelas redes e se importam mais com o momento do que pensar no futuro". Dentro da sala de aula, Alexandre vê jovens pouco pacientes e que só curtem atividades "rápidas e dinâmicas". "O professor de hoje é aquele mediador, que interage e aprende junto com os alunos. Aquele estilo detentor único do saber não cabe mais", afirma.

Comente esta matéria 2 comentários
Nascimento 07/01/2018 10:26:38
Para consumir antes é preciso trabalhar
dcastel 08/01/2018 09:55:47
Um grande problema das novas gerações é o excesso de informação e falta de atividade fisica.
Na decada de 1960 a 1970 eu ia de bicicleta para todo lado da cidade, e quando moleque jogava bola o dia todo, andava muito a pé.
Não havia internet, mas as radios, os jornais e os correios eram extremamente eficientes e tinhamos informação até bem razoáveis.
Eramos mais unanimes em tudo, hoje é todo mundo mais egoista, radio é só para musica hoje em dia.Até as emissoras de TV estão quase falindo...
Seu telefone e e-mail NÃO serão publicados!
* Campos obrigatórios! (caracteres restantes: 1000)
Li e estou de acordo com os termos e condições de uso do portal.
Outras notícias sobre JUNDIAÍ LISTAR TODAS
JORNAL DE JUNDIAÍ
política de privacidade anuncie conosco
editorias



Empregos e Concursos
Especiais


Motor
Mundo
Opinião
Polícia
Política
Repórter JJ
Turismo
cidades
Jundiaí
Região
entretenimento

Cultura & Lazer
Théo Faz & Acontece
esportes
tv jj


Na Ponta da Língua
Notícias
Periscope
Salão Duas Rodas

grupo jj
Fale Conosco
Repórter JJ
Quem Somos
Expediente
Anuncie
Assine o Jornal
Gráfica JJ
Termo e
Condições de Uso
2014 © Jornal de Jundiaí - Todos os direitos reservados.
Acesse:
Projeto Gráfico: Marcelo Savoy | Desenvolvimento: //sithes.com