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Jundiaí, 12 de dezembro de 2017
04/04/2015 22h59 - CÓRNEA

Espera para transplante é de 6 meses

Luciana Muller
lmuller@jj.com.br
© Divulgação
Em Jundiaí, em média 20 córneas, apenas, são coletadas por mês, no Hospital São Vicente de Paulo
A visão faz parte dos sentidos dos seres vivos, mas quando começa a falhar, os problemas estão instalados. Se não cuidados adequadamente, muitas doenças evoluem a ponto de a pessoa precisar de um transplante de córnea para continuar a enxergar.

O procedimento - última alternativa já que existem algumas tecnologias que conseguem retardar a intervenção cirúrgica - é demorado, pois depende da doação do órgão. Investir em parcerias para a captação tem sido o foco do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), referência nesse procedimento no Brasil. 

O Estado de São Paulo é referência nacional para transplante de córnea, principalmente no serviço do BOS (Hospital Oftalmológico), onde a procura de pacientes de outros estados é grande pela dificuldade de doação e o acesso ao transplante via SUS. Atualmente, a lista espera do hospital tem 762 pacientes, que aguardam, em média, cerca de seis meses pela cirurgia.

A maioria dos pacientes jovens que precisa de transplantes possui ceratocone (doença que deforma a córnea), e na porcentagem de idosos a ceratopatia bolhosa (caracterizada por edemas e bolhas) é a principal causa para o procedimento. O estudante Guilherme Fercondini, 22 anos, também foi diagnosticado com ceratocone. Seu caso foi tratado com tecnologia a laser.

“Eu usava óculos e mesmo assim precisava forçar a visão para enxergar. O grau aumentava constantemente até que o oftalmologista solicitou vários exames e ficou constatado o ceratocone. A minha indicação não chegou ao ponto de transplante, mas precisei de uma raspagem a laser”, conta.

Segundo o superintendente do BOS, Edil Vidal de Souza, houve uma grande evolução na área de córnea nos últimos anos. Surgiram tratamentos alternativos (implante de anel intracorneano e crosslink) que podem evitar ou prorrogar o transplante de córnea em alguns casos. Também houve mudança em técnicas, com o uso da tecnologia laser que possibilita a recuperação mais rápida - mas não o suficiente para dispensar o transplante e acabar com a fila dos pacientes.

Para reverter essa situação é preciso aumentar o número de doação na região que envolve Sorocaba, Campinas, Piracicaba e Jundiaí”, informa Souza. Segundo dados fornecidos pelo BOS, em 2000, o banco coletou 2.068 córneas. Já em 2014, somente 1.977 - o menor número desde a criação da estatística do hospital.

O Hospital São Vicente de Paulo, em Jundiaí, tem uma equipe própria que faz a coleta. Entretanto, a cidade capta apenas 20 córneas por mês, em média. O aproveitamento chega a 60% (dentro do índice mundial que é 50%). A córnea pode ficar até 14 dias armazenada, mas o ideal é usá-la no menor prazo possível. Só existe restrição à doação para pessoas com mais de 80 anos ou portadores de doenças infecciosas como HIV, hepatite ou meningite.

Em Jundiaí - Segundo dados do BOS, foram realizados na instituição 13 transplantes em pacientes de Jundiaí, no ano passado. No ano anterior, foram 29, e em 2012 foram 32. O superintendente do BOS explica que busca parceria para aumentar as doações na região (Sorocaba, Campinas, Jundiaí e Piracicaba).

“A ampliação influencia diretamente na fila de espera em comum existente para nossa região. Em Piracicaba, a funerária local passou a colaborar com as doações. De 10 doações passamos para 40 por mês somente com a abordagem feita às pessoas fora do ambiente hospitalar. Atualmente estamos tentando parceria com as funerárias de Jundiaí e Campinas”, adianta.

Por enquanto, o transplante não é necessário para Jailton Santos de Souza, diagnosticado com ceratocone desde os 2 anos de idade. “Sofri muito até os 18 anos. Tinha muitas dores. Parecia que agulhas eram enfiadas nos meus olhos. Lembro que minha mãe fazia compressa de água gelada para reduzir a dor”, conta o secretário que hoje tem uma vida totalmente diferente.

Aos 20 anos, ele passou pelo atendimento no Instituto Luiz Braille, em Jundiaí, e teve a indicação para usar lentes de contato rígidas nos olhos. “Demorei uns seis meses para me adaptar, mas agora, me sinto tão confortável que chego a esquecer que estou usando. Não tenho restrição alguma. Minha visão é 100%”, conta o rapaz, de 38 anos.

Ele sabe que poderá necessitar de transplante no futuro, mas isso não o incomoda. “Por enquanto meu organismo está bem adaptado à lente. Quando eu chegar à terceira idade, poderá acontecer de a realidade mudar. Os médicos afirmam que o transplante, no meu caso, somente em último caso.”

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