RARIDADE

Na era dos cartões, cheques ainda resistem em Jundiaí

Em meio aos avanços tecnológicos, de cartões de débito e crédito a aplicativos de celular e tecnologia touch, os ultrapassados cheques ainda têm espaço no comércio. Em algumas lojas de Jundiaí, apesar de raro, ainda é possível optar por essa forma de pagamento.

Gerente de uma loja de moda feminina, Ana Paula Pinheiro Pompeu diz que esse tipo de recurso é aceito, mas apenas para clientes conhecidos, que fazem parte da clientela há um bom tempo e mediante cadastro. “Somente assim aceitamos o cheque como forma de pagamento, pois infelizmente existe um grande montante cheques devolvidos ou sustados e até mesmo de empresas e não do titular. Por isso, muitos estabelecimentos deixaram de aceitar os cheques”, argumento.

Segundo Ana Paula, a loja funciona há 15 anos em Jundiaí e, com tanto tempo no mercado, tem uma clientela fiel e muitos clientes cadastrados, que ainda fazem uso do cheque. “No entanto, não fazemos novos cadastros neste perfil.” A secretária Marli Anzolin Pereira, de 57 anos, ainda tem um talão de cheques na carteira, mas só utiliza em casos eventuais. “Por exemplo, para pagar uma consulta médica. No mais, utilizo o cartão, que é mais prático e seguro para fazer compras”, resume.

PERFIL
Uma pesquisa recente da MultiCrédito, empresa especialista em análise de crédito, nos últimos anos o cheque tem se posicionado em segmentos de ticket médio elevado (entrada de veículos, hospital, material de construção, serviço e turismo). A pesquisa revela que 60,23% são de valores entre R$ 1 mil e R$ 10 mil, 16,4% de valores acima de R$ 10 mil e 1% das vendas corresponde a valores acima de R$ 50 mil.  Além dos valores elevados, também existem prazos longos, sendo que 25,8% das vendas são entre 4 e 6 parcelas. 14,1% acima de 7 parcelas e chegando em alguns segmentos, até 18 vezes, como exemplo, móveis e colchões.

O levantamento também detalha outra característica do uso do cheque: a interiorização. Em 2018, 79,5% de todas as transações realizadas foram feitas em cidades do interior, com ligeiro aumento em relação a 2017, quando a participação foi de 77,6%.
“O levantamento mostra que o cheque, ao longo dos últimos anos, tem se posicionado em operações de valores elevados, realizando o sonho dos consumidores de comprar produtos de alto valor agregado e escolher a melhor forma de pagamento, que seja compatível com seus orçamentos pessoais e , ao mesmo tempo, atender o lojista com aumento das suas vendas”, avalia Walter Alfieri, diretor da MultiCrédito.

A pesquisa demonstra que o cheque é ainda muito utilizado em segmentos onde o instrumento de crédito circula muito, como: madeireiras, marmorarias e vidraçarias e também onde a figura do prestador de serviço é muito forte, como, por exemplo: o marceneiro. Do total operado pela empresa 23,2% já são deste nicho de mercado e mesmo nestes anos de crise as operações estão estáveis com ligeira tendência de crescimento.

Avaliando o perfil dos consumidores, a pesquisa identificou que pessoas acima de 50 anos representam a maior faixa de público que usa o cheque, com 40% da totalidade, seguido por pessoas de 30 e 40 anos, com 24%, assim como, de 40 a 50 anos, com os mesmos 24% e de 0 a 30 anos, com 12%. Em 2008, este número (pessoas acima de 50 anos) era de 30%.  O segmento de saúde e estética tem grande participação nas compras dos consumidores acima de 50 anos, destacando-se o ramo de farmácia. Na faixa entre 30 e 50 anos os consumidores compram mais nos segmentos de automotivos e material de construção.

Entre as vantagens apontadas pelo uso do cheque, o mesmo oferece flexibilidade operacional, possibilitando vários endossos, além do que, o consumidor pode escolher o melhor dia para vencimento de cada parcela da compra, longos prazos e valores elevados e instrumento de crédito muito utilizado na antecipação de recebíveis. “O cheque é um excelente instrumento de crédito nas operações do varejo”, acredita Alfieri.

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