CÂMBIO

Por ter ‘perfil importador’, Jundiaí se beneficia com dólar baixo

Nesta semana, o dólar chegou a seu menor valor nos últimos dois meses. A moeda norte-americana recuou pela terceira sessão seguida e acumulou uma desvalorização de 3,78% nos últimos dias. Para o diretor de Comércio Exterior do Ciesp, Márcio Ribeiro Júlio, o resultado é mais positivo do que negativo. “Para quem exporta, o faturamento vai ficar menor. Mas Jundiaí tem um perfil mais importador, as indústrias daqui são mais focadas em máquinas e abastecem os estados”, explica. Nesse sentido, a importação vai ficar mais barata e, por isso, beneficia as empresas da Região”.

O gestor de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Jundiaí, Messias Mercadante de Castro, compartilha da visão positiva. “Toda vez que o dólar cai, traz efeitos positivos na economia. O turismo do brasileiro no exterior fica mais barato, as matérias-primas importadas ficam mais em conta e isso ajuda a combater a inflação interna”, explica o economista.

O maior benefício, a seu ver, é a retomada da confiança do investidor estrangeiro no país. “Os agentes econômicos estão confiando mais na economia brasileira e estão mais dispostos a investir aqui”, avalia. “Pode parecer um contrassenso, uma vez que o dólar mais barato significa que investir aqui é mais caro, mas a estabilidade econômica compensa”.

Futuro
É impossível descolar as eleições da perspectiva do dólar para o futuro. “O mercado escolheu um candidato e, se ele se confirmar, o dólar pode cair ainda mais. O Banco Central trabalha com a possibilidade de fechar o ano neste preço, mas nós que trabalhamos com a oscilação do câmbio no dia a dia apostamos em queda maior” avalia Vinicius Ramos Monteiro, analista de câmbio de uma assessoria em ComEx.  Em sua avaliação, o valor atual do dólar ainda pode ser considerado alto – apesar do faturamento menor para quem exporta. “Uma faixa ideal para equilibrar os negócios seria entre R$ 3,50 e R$ 3,40”, diz.

Márcio, por sua vez, acredita que – passadas as eleições – outros fatores vão refletir no preço do dólar. “Esses movimentos são muito especulativos e, até o fim do segundo turno, a precificação é artificial. Essas alterações não são ortodoxas, pois não são baseadas em fundamentos como a capacidade do brasileiro em honrar suas dívidas”, afirma. “São esses os fatores que vão pesar mais quando a eleição passar.”

Foto: PMJ

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