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Buraco sem fundo

JOSÉ RENATO NALINI | 19/05/2019 | 07:30

Nem precisava da sentença de Paulo Guedes. O Brasil está no fundo do poço. E a farra continua, numa caricatura do baile da Ilha Fiscal.
Mais um ano perdido, depois de uma década jogada fora. A esperança de seriedade no enfrentamento das grandes e permanentes questões feneceu. O controle da economia deveria permanecer sob absoluto controle dessa equipe tão preparada. Incrível que ela não seja ouvida e que o responsável por uma reforma que já devia ter sido feita há mais de vinte anos, tenha de esmolar, no Parlamento, para que ela seja levada a sério.
Ninguém está enxergando que o governo não tem mais de onde tirar recursos? A escorchante carga tributária não é suficiente para o custeio: há milhões vinculados ao Poder Público. Salários, auxílios-saúde, seguro desemprego, privilégios e uma insuportável elevação dos gastos.
Empreender é pecado, lucro é palavra feia. Por isso os poucos heróis que ainda mantinham suas atividades no Brasil procuraram fugir. Portugal está a reprimir o excesso de brasileiros. As filas no Consulado Italiano da Avenida Paulista crescem a cada dia. Conheço empresários que transferiram suas fábricas para o Paraguai. Lá ainda é possível empreender. Aqui está inviável.
PIB caindo, qualidade de vida já desapareceu. Factoides ocupando o lugar do trabalho. Continuam as denúncias dos “malfeitos”, como se não houvesse Lava Jato, nem Mensalão, nem o tsunami de corrupção que levou o País a ser desacreditado na comunidade internacional.
O ambiente maltratado e o “vale tudo” instaurado, para transformar tudo em pasto. Continua a violência, assim como os roubos. Milhares de celulares roubados e furtados a cada dia. Prisão espetacular que mobiliza centenas de funcionários. Polícia civil incapaz de investigar, apenas a correr atrás do prejuízo.
Não é a crise EUA x CHINA, nem as ameaças nucleares do Irã que prejudicam o Brasil. Aqui, o inimigo é interno. Somos nós mesmos. Não conseguimos nos administrar, a começar de cada casa. Abandonamos a polidez, a cordialidade e a boa educação de berço. Atribuímos ao governo todos os males. Sem atentar para uma circunstância muito evidente: ele foi eleito por nós. Nós é que escolhemos os nossos representantes. E nos desligamos do controle, da fiscalização, da cobrança. Só sabemos resmungar.
O Brasil não está apenas no fundo do poço. Este buraco em que fomos lançados – ou nos lançamos – parece não ter fundo.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM


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