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Carlos Henrique Pellegrini: Coaf e a vitória de pirro

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI | 23/05/2019 | 06:30

A sigla mencionada em verso e prosa nas últimas semanas, Coaf, significa “Conselho de Controle de Atividades Financeiras”. Trata-se de órgão administrativo do governo brasileiro criado por lei em 1998 durante as reformas econômicas feitas pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. O Coaf tem a finalidade de disciplinar, aplicar penas administrativas, receber, examinar e identificar ocorrências suspeitas de atividade ilícitas relacionada normalmente à lavagem de dinheiro. Na maior parte das vezes, mundo a fora, vinculado aos Ministérios da Economia, obviamente em países que tenham ou acham que tem situação fiscal estável, controlada ou em situação muito melhor do que a nossa. Pelo estado de caos que as Operações Lava Jato e outras vem demonstrando, o Presidente Jair Bolsonaro, por proposta na época do Juiz Federal Sérgio Moro, estreitando a troca de dados, melhorando a comunicação, ganhando tempo – para ser simplista, teve sua estrutura alocada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
“Vitória de Pirro” é uma expressão utilizada para se referir a uma vitória obtida a alto preço, potencialmente acarretadora de prejuízos irreparáveis. A expressão recebeu o nome do rei Pirro do Epiro e da Macedônia, cujo exército havia sofrido perdas irreparáveis após derrotar os romanos na Batalha de Heracleia em 280 a.C e na Batalha de Ásculo em 279 a.C.
Pois bem, quando quatorze parlamentares de uma Comissão do Congresso Federal vota e aprova o retorno do Coaf do Ministério da Justiça e Segurança Pública para o Ministério da Economia, deixa os outros onze parlamentares, assim como milhões de brasileiros, ou seja, a maioria dos eleitores, perplexos – dificilmente a Câmara reverta o quadro. A razão não é propriamente a devolução do Coaf a Economia, isso é natural da democracia, foi sim constrangedor a comemoração dos tais parlamentares, assim como dos partidos “enrolados” com desvios na Justiça da tal “Vitória de Pirro”.
Pouco importa, não destruíram o Coaf, ele continuará existindo, de porta abertas para investigar os larápios, mas o Brasil está vivendo momentos dramáticos, onde o “Vale Tudo” faz parte do dia a dia, essa sim é a grande tragédia. Difícil determinar quem foi o autor da frase usual na década de 1950 e 1960, mas aqui vai: “Ou o Brasil acaba com a Saúva ou a Saúva acaba com o Brasil”.

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI É professor universitário e Diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting, pellegrini@maxirecur.com.br

CARLOS HENRIQUE PELEGRINI


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