ESPERANÇA

Carlos Henrique Pellegrini: O Brasil que eu quero

O Brasil que eu quero é diferente do Brasil que é possível. Acreditar que nosso País irá transformar-se em curto prazo em exemplo de transparência e retidão, berço da igualdade social, que deixaremos o preconceito de lado, que nosso DNA voltado a levar vantagem em tudo vai desaparecer, que nossa educação formará líderes arrojados e de caráter, que a saúde será para todos e que os direitos e deveres serão prerrogativas, é o mesmo que crer em Papai Noel.

Forjamos o “jeitinho brasileiro” ao longo de séculos. Aquele mesmo jeitinho que na década de 1940 fazia sucesso em chanchadas com sambistas de roupas listadas acompanhando uma portuguesa com bananas na cabeça.

Repetido exaustivamente nos últimos tempos e recentemente elevado ao maior problema nacional, o termo “corrupção” é definido como “a utilização do poder ou autoridade para conseguir obter vantagens e fazer uso do dinheiro público para o seu próprio interesse, de um integrante da família ou amigo”.

No limiar do século 16, o governo português destacou o experiente Vasco da Gama para comandar a armada que rumaria a Índia e que, no caminho, viria a descobrir o Brasil. De última hora, sem explicações, o comando foi assumido pelo inexperiente fidalgo Pedro Álvares Cabral. A mudança foi “articulada” e bem paga a “puxa sacos” do rei D. Manuel I. Provavelmente o primeiro ato de corrupção envolvendo o Brasil, antes mesmo de ele existir.

Já há quem diga que a carta escrita por Pero Vaz de Caminha, em 1º de maio de 1500, comunicava ao rei português D. Manuel I o descobrimento do Brasil, é de fato o primeiro registro oficial de corrupção em nosso País.

Na visão de Caminha, o texto descreve o território recém-descoberto e, ao final, solicita que seu genro, Jorge de Osório, que foi preso por assalto a uma igreja e agressão a um padre, fosse solto. O caso é costumeiramente confundido com um pedido de emprego, o que não é verdade. Foi ato de corrupção.

O Brasil de hoje não é o mesmo do ano passado. Estamos passando a limpo nossa história e nosso País está mais justo, anos-luz daquilo que desejamos, mas é um grande começo. Temos que lutar com persistência para que não retrocedamos um milímetro do aprimoramento. Temos que forjar outra nação, baseada na liberdade, igualdade e fraternidade, punir todos que erraram e cobrar dos que querem servir o povo.

Devemos rever nossa nação baseando-a na família, religião e educação. O Brasil que eu quero já começou!

CARLOS HENRIQUE PELLEGRINI é professor universitário e diretor de Gestão Empresarial e de Sucessão Familiar da Maxirecur Consulting / pellegrini@maxirecur.com.br

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