ARTIGO

Cuba, uma relíquia do século 20

Estive em Cuba, no meu último período de férias, e por ser um local que desperta as paixões, é difícil que tenhamos uma análise isenta. Há a visão romântica, da pequena ilha lutando contra o imperialismo americano, em nome de todos nós latinos. Há também a visão crítica, da Ditadura desalmada dos Castro que levou a Ilha a falência.

Para além de tudo isso, Cuba desponta como uma relíquia do século 20. Seus carros antigos, seus prédios envelhecidos, alguns quase em ruínas, o acesso a internet precário, trazem a sensação de um lugar que parou no tempo.

E há miséria, disseminada por toda a parte que muitas vezes choca o visitante, mesmo vivendo em um país como o Brasil.
Embora se tenha saúde e educação, de modo gratuito, bem como não se veja crianças ou adultos mendigando nas ruas, o fato é que o país precisa de muito dinheiro, para reformar seus edifícios e para se modernizar, já que somente os prédios governamentais e os hotéis, parecem estar em ordem.

A impressão que fica é que qualquer que tenha sido o bem conseguido pela Revolução de Fidel Castro, e parte considerável da população pensa que foram muitas as melhoras, as suas conquistas chegaram ao seu limite e se esgotaram.

Certamente que os Estados Unidos da América contribuíram muito para a penúria de Cuba, pois desde o início da Revolução, impuseram a Ilha um embargo econômico brutal que já dura mais de 50 (cinquenta) anos.

Enquanto havia o dinheiro soviético e o cenário da Guerra Fria, Cuba ficou de pé, mas agora parece fadada a cair.

E tanto a necessidade de mudanças é evidente, que o pais está em vias de aprovar uma nova Constituição, com algumas concessões ao capitalismo e um mandado presidencial limitado a 10 (dez) anos. Serão aceitas pequenas propriedades, mas há menção expressa no Preâmbulo da Carta de que “Cuba não voltará jamais ao capitalismo, como regime sustentado na exploração do homem pelo homem, e que somente no socialismo e no comunismo, o ser humano alcança a sua plena dignidade”.

É muito difícil precisar o quanto de apoio popular o regime ainda tem, já que em pequenas conversar que tive ouvi alguns muito satisfeitos e outros indignados.

Caberá ao novo Presidente Miguel Diaz-Canel, a difícil tarefa de conduzir Cuba nesse novo tempo, com uma nova Constituição. Só o tempo dirá se ele terá êxito.

 
FABIO JACYNTHO SORGE é defensor público do estado de São Paulo e coordenador da Regional de Jundiaí

 

 

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