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Eginaldo Honorio: Consciência negra

No dizer do Mestre Dagoberto da Fonseca, Consciência Negra “é uma manifestação social de diversos movimentos negros, no Brasil e no exterior, que agem em função da necessidade de que milhares de pessoas, a maioria negra, venham a se conscientizar acerca dos processos e mecanismos que fazem com os negros estejam em patamar e inferioridade social, submetidos a postos sem prestígio e introjetando valores que fazem com que neguem a si mesmos.

Essa situação social é imposta a milhares de negros que acabam tendo uma condição psíquica frágil e uma autoestima negativa, resultados da violência e da não valorização a que são submetidos cotidianamente no ambiente escolar, de trabalho, de atendimento à saúde etc”.  Esse é o conceito que se tem a respeito do tema e, infelizmente, não bem visto, em especial por aqueles que buscam igualdade e tratamento digno por medo de perder privilégios.

Só que não é nada disso! Bem ao contrário. A comunidade negra tem muito a contribuir, pois conta com talentos de altíssimo potencial e há espaços para todos.  A manutenção do odioso sistema institucionalizado de exclusão não é boa para ninguém. Não é boa para os que praticam e para os que sofrem a ação. Causa-me até engulho quando me deparo com fatos como esses.

No artigo anterior, afirmei que não há qualquer ação dos negros contra os não-negros e não há resposta que justifique a exclusão institucionalizada que me remete à famosa frase defendida por Luiz Gama, também conhecido como “Apóstolo Negro da Abolição”, que em uma sessão de júri sustentou: “O escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa”. Vale destacar que tal frase foi dita há mais de 130 anos.

Nessa mesma ordem eu também disse que muita coisa mudou de lá para cá, todavia a passos muito lentos e tímidos. Naquela época, em razão das atrocidades a que os negros eram submetidos, a resposta jurídica para o revide só podia ser a da legítima defesa. Nos dias que correm, não há necessidade de se devolver violência com violência, todavia é preciso melhor preparo educacional da população, vislumbrando diminuir a desigualdade estampada na sociedade.

A desinformação, ou melhor, a informação distorcida da verdade, faz com que os negros realmente neguem a si mesmos, suas raízes, e se mantenham desunidos, favorecendo esse estado de coisas. Por tais razões, essa é mais uma deslavada justificativa encontrada para não implementação da Lei 10.639/03 (que obriga o ensino da História da África, Afro-brasileira e Indígena), posto que, com a efetiva implementação do referido texto legal, a meu sentir, é possível mudar até a história do Brasil, pois ela foi construída pelas mãos negras e com a eliminação de milhares de indígenas, como também pela não oferta de oportunidades em igualdade de condições, por medo da perda de privilégios.  Por fim, nada justifica tamanha e tanta maldade contra seres humanos apenas pela cor de sua pele! Não se busca dividir o país por cor, mas que ele seja colorido, sem perder de vista que o Brasil é colorido.

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade
Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com

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