NEGRITUDE

Eginaldo Honorio: Negros de vulto

Na matéria anterior, o tema foi “Lei para inglês ver”, também com intuito de despertar interesse em famosos dispositivos legais que, à primeira vista, foram editados para favorecer, quando o objetivo era, efetivamente, enganar e mascarar a verdade, institucionalizado com o interesse único em melhorar a ideia de solidariedade e respeito ao próximo, cujo comportamento se arrasta até os dias atuais. Imperdoável! Venho abordando aqui situações de alerta, maus tratos, tortura, discriminação, racismo, preconceito e exclusão. Hoje, apesar de tantas e quase incontornáveis dificuldades, trago alguns nomes de alta relevância no cenário nacional, iniciando pela mais recente.

A desembargadora Rilma Hemetério, desde 1º de outubro, ocupa a presidência do maior Tribunal do Trabalho, onde permanecerá até outubro de 2020, comandando mais de 500 juízes, 90 desembargadores. Estão sob sua responsabilidade mais de 485 mil processos. É a primeira mulher negra a ocupar tão alto posto. Na Justiça do Trabalho encontramos também o desembargador Lorival Ferreira dos Santos, presidente do Tribunal do Trabalho em Campinas e, para fechar, encontramos no Tribunal Superior do Trabalho o desembargador Carlos Alberto Reis de Paula, também negro, com mandato de 2013 a 2014. Foi o 30º a presidir o Tribunal Superior e o primeiro negro. Na Justiça Estadual, temos os desembargadores Erickson Gavazza Marques e Nestor Duarte.

No Ministério Público, encontramos, no alto escalão o dr. Nadir Campos Júnior na presidência do Conselho Nacional do Ministério Público e não podemos deixar de falar do ministro Joaquim Barbosa, o terceiro negro a ocupar vaga na Corte Suprema, sendo precedido por Pedro Lessa (1907-1921) e Hermenegildo de Barros (1917-1931). Temos também Benedito Galvão (primeiro presidente da OAB/SP – 1940-1941. Na iniciativa privada, temos Rachel Maia na presidência da joalheria Pandora por 9 anos; Rodney Willians, vice-presidente da Microsoft Brasil; professora Eunice Prudente (USP); Kabengele Munanga (USP); Magnifico dr. José Vicente (reitor da Unipalmares); prof. Hélio Santos (USP); Dr. Hédio Silva Junior e tantos outros de mesma envergadura e importância em todos os ramos de atividade (artes, cultura, educação, iniciativa privada, poder público, esportes…). No mais das vezes, são mantidos na exclusão para o fim de introjetar a ideia de incapacidade e inexistência dessas personalidades no cotidiano brasileiro.

Com todos esses exemplos, carrego a frase dita pelo promotor de Justiça Nadir Campos, afirmando, em entrevista na TV, que “para um negro ser considerado igual tem que ser duas vezes melhor”. Notem que ele disse “igual” e, na hipótese, numa eventual disputa, nem precisa perguntar a cor de pele do vencedor, né? Estamos atrasados na luta contra esse estado de coisas. É necessário e urgente “repensar o Brasil”, no sentido de se eliminar, de vez, as desigualdades apenas e tão somente em razão da cor da pele.

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí – eginaldo.honorio@gmail.com

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