DIVERSIDADE

Eginaldo Marcos Honorio: Viver e conviver com a diversidade

O que seria do azul se todos gostassem do amarelo? As diferenças fazem o equilíbrio e é preciso viver a saber viver com elas. Quente e frio, alto e baixo, gordo e magro, claro e escuro e por aí vai.
No que tange aos temas por mim abordados, fechamos há bem pouco o “mês da consciência negra” no qual atividades de altíssimo nível foram realizadas em todo o Brasil e nos 1.045 municípios em que decretaram feriado no dia 20 de novembro. Aqui presto minhas homenagens à todos e todas que se empenharam em promover eventos com esse recorte.
De outra banda, foi também possível constatar que, em pleno Século 21 e com riquíssimo material histórico e cultural, deparamo-nos com racistas declarados alegando que vários temas tipificam vitimismo; que deveria existir consciência branca; que todos os seres humanos são iguais; que a comunidade negra deveria parar de falar nesse assunto; sem contar ofensas de toda ordem. Confesso que em alguns casos e comentários fiquei assustado com estarrecedores manifestos. Interessante notar, e notem, que os que mais clamam contra manifestações enaltecendo a comunidade negra, são os que mais praticam atos de discriminação, preconceito e racismo!
Por acaso viram algum negro ofendendo brancos, a exemplo daquela mulher no metrô do Rio de Janeiro? Viram algum branco sendo obrigado a fazer uso do elevador de serviço? Sendo perseguido em supermercado? Sofrer penas mais severas que negros em ocorrências idênticas? Receber dosagem menor de anestesia quando dos partos? Podem identificar e quantificar o número de negros trabalhando nas agências bancárias, no alto escalão das empresas e no serviço público, nas emissoras de televisão? Etc e etc.
A falta de habilidade é tão grande, que recebi, dias atrás a imagem sugerida por uma escola para apresentação das alunas e que compareçam com cabelo “liso e solto” mostrando, inclusive, a foto de uma menina branca. Como assim? A minha neta, por exemplo, não poderia participar né? Não se pode medir pessoas com a mesma régua! Não se descurando nunca – ainda mais os professores – da famosa frase de Aristóteles: “Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade”. Já disse neste espaço, antes de criticar, coloque-se no lugar.
Fecho transcrevendo parte de uma sentença proferida pelo juiz de direito Paulo Roberto Ferreira Sampaio, proferida aos 14 de março de 2007: “… que não se detecte qualquer resquício de pieguice ou demagogia nesta afirmativa, mas o fato é que para se ter ao menos uma noção do que significa ser discriminado, sobretudo pela cor de sua pele, seria necessário, logicamente no plano hipotético, que cada um de nós vivesse por pelo menos um mês no lugar de uma pessoa negra, e sofrêssemos tudo o que um indivíduo nessa condição sofre; talvez, só assim possamos nos conscientizar da gravidade do racismo, ainda, lamentavelmente, muito presente em nossa sociedade, apesar de toda a evolução cultural que recomendaria o contrário”.

EGINALDO MARCOS HONORIO é advogado e membro do Conselho Municipal da Comunidade Negra de Jundiaí. E-mail: eginaldo.honorio@gmail.com

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