ESPAÇO DO CIDADÃO

Espaço do Cidadão – 10 de julho de 2018

MATÉRIA SOBRE BISSEXUALIDADE: Em relação à matéria “Geração Z está mais apta ao bissexualismo”, publicada no Jornal de Jundiaí em 8 de julho de 2018, eu, Laura Stoppa, jornalista e educadora sexual consultada, ressalto que o texto contém uma utilização incorreta de terminologia. Na língua portuguesa, o sufixo “ismo” denota doenças e patologias e pode ter conotação pejorativa em sua leitura e compreensão.

Portanto, o título deveria trazer “bissexualidade” no lugar de “bissexualismo”, termo este que não é mais utilizado desde 17 de maio de 1990, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou da sua lista de transtornos mentais a homossexualidade, incluindo também a bissexualidade na mudança. Ou seja: orientação sexual não é doença nem escolha.

A edição mostrou-se desconexa ao empregar na chamada o termo desatualizado enquanto o corpo do texto traz a nomenclatura atual e adequada. R.P., fonte da matéria, mulher bissexual, professora e estudante de Psicologia, pontuou, ao conceder sua entrevista, a importância da diferenciação entre bissexualismo e bissexualidade, haja vista toda a carga negativa e de negação da própria luta por reconhecimento e validação que a primeira nomenclatura possui.

A expressão “opção sexual” também foi usada equivocadamente, pois a atração sexual é fisiológica, portanto não passível de ser sentida por quem se bem entende, não existindo escolha sobre o que ou quem nos atrai. R.P. reitera que as palavras têm o poder de estigmatizar ou não toda uma comunidade que luta diariamente para não continuar sendo discriminada e marginalizada, e que, assim como qualquer outra, é digna de respeito.

A explicação se fez necessária perante uma matéria que, pelo uso de uma palavra colocada em evidência, abriu margem para a patologização do que não é doença. Essa escolha infeliz evidenciou ainda mais a necessidade de falarmos sobre sexualidade de uma maneira acessível, informativa, atualizada e correta. Lutar pela terminologia adequada não é uma questão de simples nomenclatura e sim de visibilidade, que não significa apenas estar em evidência em meios de comunicação.

As palavras têm o poder tanto de perpetuar estereótipos quanto de promover transformações sociais. Trabalho sempre pensando na segunda possibilidade.Desde já agradeço pela atenção e pelo espaço para que seja feita a digna e necessária explicação.

Laura Stoppa – educadora sexual

NEYMAR: Agora que a Copa da Rússia acabou para o Brasil, torço para a imprensa parar de falar do Neymar. Nosso camisa 10 é bebê chorão, mimado e paparicado demais, inclusive por jornalistas.
Carlos Motta

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