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ESPAÇO DO CIDADÃO: 10/02/2019

ESPAÇO DO CIDADÃO | 10/02/2019 | 04:30

DOMINICANOS TRAÍDOS

Um importante historiador do Cristianismo, Daniel-Rops, comentou a aproximação na origem de duas famosas Ordens religiosas: a dos Franciscanos e a dos Dominicanos. Se por um lado os seguidores do “Poverello” de Assis teriam como principal objetivo o apelo à pobreza evangélica, por outro, aos discípulos do espanhol Domingos de Gusman caberia, como defensores da Palavra, a Oratória, resumida no dístico “Domini Canes” – os cães de guarda da Verdade cristã.

Conheci religiosos dominicanos: um colega meu, do São Luís, se tornou sacerdote, enquanto eu mesmo fui para a Teologia dos jesuítas. Verificou-se, no Brasil, a tendência esquerdista que tomou conta de setores da ordem dominicana, principalmente em São Paulo.

No ano de 1963, fui a uma missa na Igreja de S. Domingos, nas Perdizes. Discorrendo sobre o tema da propriedade sob uma perspectiva bíblica, o celebrante, frei Josaphat, elogiava a ocupação de fazendas e outras terras. Notei que fiéis abandonavam o templo, em protesto (aliás, o mesmo deveria ser feito ainda em nossos dias).

Foi patente o envolvimento de religiosos com a política das esquerdas ligadas ao comunismo que muito aparece no livro “Batismo de Sangue”, com figuras ligadas ao banditismo, metamorfoseadas como “heróis” por deseducadores que entupiram as cabecinhas de seus jovens orientandos.

É o caso de Carlos Marighella, cuja biografia volta a ser exibida e financiada regiamente pela lei Rouanet, no Festival de Berlim, a famosa “Berlinale” do cinema – que já teve, em bons tempos, filmes representantes do Brasil como “Central do Brasil” e “A que horas ela volta?”. Marighella é um desses que traíram frades incautos.

Naquele 4 de novembro de 1969, buscou, na Livraria Duas Cidades, dois “ajudantes” da Ordem de São Domingos. Por volta de 19 horas, eu andava a pé pela Av. Paulista, quando ouvi um foguetório. Estranhei, porque o jogo no Pacaembu, seria mais tarde. Logo soube do tiroteio, no qual a Polícia matou o terrorista Marighella, sem ferir os frades por ele traídos.

Realmente, naquela noite de terça, 4 de novembro de 1969, dois registros curiosos: eliminava-se um perigoso agente do comunismo na sociedade brasileira, e, surpreendentemente, o Corinthians vencia o poderoso Santos, de Pelé!

Prof. Antônio Luiz Gomes


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