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Fábio Sorge: A dança das cadeiras

FÁBIO JACYNTHO SORGE | 23/05/2018 | 08:47

Estamos a menos de cinco meses da eleição presidencial. Em outubro, além do presidente, serão eleitos governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Porém, não se nota na população um grande sentimento de mudança ou mobilização para o pleito. Na verdade, parece que ocorrerá uma mera dança das cadeiras.

Há, na verdade, uma grande desilusão por parte de todos em relação ao sistema político. Uma descrença generalizada. Alguns chegam até a defender a volta da ditadura militar, como forma de resolver o problema, algo impensável há poucos anos.

Nenhum dos candidatos à presidência da República empolga o eleitorado, tanto que existe a expectativa da eleição de um “outsider”, ou seja, alguém de fora da Política. E não se pode culpar o eleitor por isso. A grande verdade é que o sistema político-eleitoral, do jeito em que está colocado, chegou próximo do esgotamento e precisa de uma reforma. A sensação que todos têm é que a cada eleição mudam-se apenas os nomes, mas o sistema continua igual.

E mais: o eleitor constatou o óbvio, que a simples mudança de cadeiras não trará qualquer mudança efetiva na vida do país. Isto porque qualquer dos eleitos para a presidência da República terá de trabalhar com um Congresso pouco preocupado com a melhoria de vida da população e muito ligado à busca de cargos e benefícios, alguns deles ilícitos, inclusive.

Não se aprova qualquer projeto de lei sem ter de conceder alguma benesse aos congressistas. Além disso, após a eleição, grande parte dos parlamentares está mais preocupada com a sua reeleição do que com o nosso futuro.
Soma-se a isso a total ausência de projetos de país que nossos partidos políticos têm. São poucos os candidatos que assumem determinadas bandeiras ou posições, pois todos querem conquistar todo o eleitorado sem se comprometer.
Assim, temos candidatos com informações dúbias, que se recusam a dar posições concretas sobre o que farão, caso sejam eleitos.

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E todo esse cenário já foi percebido pelo eleitor. Portanto, não adianta vender a ilusão de que com a eleição tudo mudará, pois todos já sabem da necessidade de uma reforma política ampla, para que as coisas tomem o rumo certo.

Resta saber se a classe política terá percebido esse recado e promoverá a necessária alteração, pois do contrário a situação irá se esgarçar até o limite de uma ruptura e a mudança terá de vir de fora. Assim, aguardamos uma reforma política que diminua as mazelas de nosso sistema, para que tenhamos mudanças concretas nos problemas que afligem a população, e não uma mera dança de cadeiras a cada quatro anos.

FABIO JACYNTHO SORGE é defensor público do estado de São Paulo – Vara do Tribunal do Júri – e coordenador da Regional de Jundiaí


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