OPINIÃO

Faustino Vicente: A crise é de gestão

Iniciamos, para sermos coerentes com a manchete, com a célebre frase de Peter Drucker (1909-2005). “Não existem países subdesenvolvidos. Existem países subadministrados”. Peter Ferdinand Drucker, foi um escritor, professor e consultor administrativo de origem austríaca, considerado o “Pai da Administração Moderna”, sendo o mais reconhecido dos pensadores do fenômeno dos efeitos da globalização na economia em geral e em particular nas organizações – subentendendo-se a administração moderna como a ciência que trata sobre pessoas nas organizações, como dizia ele próprio.

Nessa linha de pensamento, entendemos que qualidade significa “produtos e serviços adequados ao uso, com satisfação do cliente, usuário ou contribuinte”. Produtividade, fazer cada vez mais com cada vez menos… Menos tudo. Face ao inchaço da “máquina pública” brasileira, concluímos com custos, principalmente os fixos, que nos lembram unhas. Cortamos e elas crescem, cortamos e elas crescem, crescem… Com honrosas exceções como o Poupatempo, como exemplo, nossos serviços públicos deixam a desejar na excelência do atendimento das necessidades básicas da totalidade da população brasileira. O elevado “Custo Brasil” minimiza maiores investimentos em infraestrutura. Recente pesquisa do Datafolha aponta que, para 72% da população, a situação do país piorou.

CONFIRA OUTRAS COLUNAS DE OPINIÃO DE FAUSTINO VICENTE

O EVEREST DO FUTEBOL

MULHER E O MEIO AMBIENTE

CLIQUE AQUI E CONFIRA OUTRAS COLUNAS DE OPINIÃO DOS ARTICULISTAS DO JORNAL DE JUNDIAÍ 

De acordo com o levantamento inédito feito pela Abrelpe, Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública, o Brasil tem hoje quase 3 mil lixões ou aterros irregulares que impactam a qualidade de vida de 77 milhões de brasileiros. Outro grave problema é o excesso da burocracia, que além de pesar no bolso do povo tem sido incapaz de evitar a corrupção provocada por políticos e empresários. Fato assustador no nosso país é que entre as 50 cidades mais violentas do mundo, 17 delas são brasileiras, entre as quais temos a quarta do planeta. Como podemos ver, a greve dos caminhoneiros foi apenas a ponta do iceberg.

Nada foi solucionado em termos estruturais, pois continuamos reféns do erro estratégico da classe política, de “ontem” e de hoje, ao ter colocado o escoamento da nossa produção (excessivamente) sobre uma única energia motriz: o petróleo. Toda dependência é uma “droga”. Encerramos com a expectativa de que a classe política, que em outubro estará concorrendo aos cargos eletivos, apresente projetos (factíveis) para que, a médio e longo prazo, o Brasil possa ser um país menos desigual economicamente e menos injusto socialmente.

FAUSTINO VICENTE é advogado, professor e consultor em Gestão da Qualidade. E-mail: faustino.vicente@uol.com.br

ARTICULISTA FAUSTINO VICENTE

COMENTE

Loading Facebook Comments ...

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *