OPINIÃO

José Renato Nalini: Por quem os sinos dobram?

A frase que se tornou clássica, de John Done, foi muito repetida e foi objeto de reflexão. “Não pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram por você”! Eles dobram pelo Brasil. Em todo o mundo. A repercussão da crise dos caminhoneiros foi a pior possível. O editorial do jornal “Financial Times”, um dos mais lidos nos Estados Unidos, na sexta-feira, 1º de junho, é bastante emblemático do que significou esse lamentável episódio para um País que tanto necessita de investimento estrangeiro. Textualmente: “Nos últimos 10 dias o Brasil pareceu um país à beira do apocalipse”.

Fala das “estradas desertas” no entorno da maior capital da América do Sul e sobre o “abate macabro de cem milhões de galinhas”. Cenas que, sublinhou, “parecem vir do filme de 1971 sobre o fim dos tempos. O filme é “The Omega Man”, vertido no Brasil para “A Última Esperança da Terra”. Sobre 2019, o jornal avisa que “governar o Brasil é tarefa cada vez mais difícil”. No mesmo dia, Reinaldo Azevedo vaticinava que o próximo presidente da República não conseguirá encerrar o mandato. Cairá antes!
Isso porque já se percebeu que um governo fraco cederá às pressões, fazendo tudo o que pode e também, o que é pior, o que não poderia fazer.

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Indústria sucateada, empresários fechando suas empresas para morar no exterior, o lumpesinato a tomar conta dos espaços, a absoluta falta de consenso em relação a qualquer iniciativa que pudesse refletir bom senso… O que será do Brasil? Anunciou-se a demissão de Pedro Parente, havia dois anos à frente da Petrobrás e artífice de sua lenta recuperação, e o dólar disparou. O que mostrar para a juventude e para a infância, se o discurso da política eleiçoeira parece sobrepairar sobre um território tranquilo, estável e previsível?

É urgente a coragem de dizer que “o rei está nu”, coisa que só a pureza e a ingenuidade infantil conseguem enxergar ou o grande eleitor de outubro será o medo, o ódio, o ressentimento, a ira e o “vamos pagar para ver”. Não foi isso o que sonhamos para o “País do Futuro”, que hoje volta ao “Salve-o ou Deixe-o”. A hora é ontem. Não é possível deixar para amanhã. Depois não se pergunte por quem os sinos dobram!

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista

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