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José Renato Nalini: Uma Jundiaí mais humana

JOSÉ RENATO NALINI | 23/05/2019 | 06:23

Nossa Jundiaí tem reconhecidos êxitos em vários dos aspectos que significam elevação do estágio civilizacional. Bem por isso, tem de avançar ainda mais.
Houve tempo em que enviei correspondência pessoal ao Chefe do Executivo local, sem ao menos merecer resposta. Sirvo-me agora deste espaço, para alvitrar algo perfeitamente viável e que, talvez, sensibilize a juventude do Prefeito Luiz Fernando Machado, de quem tive a honra de partilhar o seu curso de Bacharelado.
Jundiaí tem condições de cuidar melhor de sua História. Algo factível e pouco dispendioso é a criação de um MIS – Museu da Imagem e do Som. Tesouros têm sido ignorados, como o acervo fotográfico de profissionais que documentaram a vida jundiaiense por muitas décadas. Lembro-me de Rigo Sanguini, Paulo Furuta, Elio Cocheo, Braz Piva. Mas tivemos amadores que eram verdadeiros artistas: Sérgio Paschoal, Oswaldo Willy Fehr. Onde estão essas fotos? Onde foi o patrimônio iconográfico de João Janczur, o fotógrafo que eternizou milhares de casamentos da velha Jundiaí?
Temos pessoas quase centenárias. Onde o testemunho delas para mostrar às novas gerações que esta cidade não começou agora?
É um material de extrema valia e o mundo civilizado todo faz questão de armazenar tais memórias. Hoje tudo tão fácil com a digitalização, o bigdata e a nuvem! Coletar a memória oral dos idosos é de uma urgência inaudita e compreensível. Vive-se mais. O Brasil já não é apenas o país dos jovens. Estes, infelizmente, até morrem mais. E os que sobram precisam de referências paradigmáticas. Precisamos de bons exemplos. Há milhares numa cidade que teria nascido em 1615 e que atravessou insólitas vicissitudes em sua existência.
Já sugeri uma vez que o Paço cuidasse do plantio de uma nova árvore a cada visita ilustre a Jundiaí. Não fui ouvido. Talvez agora, neste espaço, um alcaide jovem e dinâmico possa vir a se sensibilizar pela sugestão de um jundiaiense provecto, que vê com melancolia a ausência de um registro oficial de sua História. Cidade sem memória perde muito de seu encanto. Não é isso o que sonhamos para a “terra querida Jundiaí” cujos filhos amantes querem a permanência de sua humanidade. Bem de cuja carência o Brasil de hoje tanto se ressente.

JOSÉ RENATO NALINI é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

HOMENAGEM DOUTOR JOSE RENATO NALINI NO FORUM


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