OPINIÃO

Maria Cristina Castilho: o Papa e o abuso sexual

Acompanho a questão do abuso sexual, cometido pelo sacerdote chileno Fernando Karadima, com alegria pela atitude do papa Francisco e com tristeza pelo sofrimento das vítimas. Fernando Karadima era um dos padres mais respeitados do Chile e chegou a ser chamado de “santo vivo”. Uma das vítimas, Dr. James Hamilton, cirurgião gástrico, hoje com 44 anos, disse tê-lo admirado desde o momento em que foi escolhido, aos 17, para fazer parte de seu movimento jovem de Ação Católica. E Juan Carlos Cruz, que trabalha como executivo corporativo nos Estados Unidos, contou que, na mesma idade,quando era seminarista e havia acabado de perder o pai, Karadima usou a confissão como forma de abuso.

Durante anos, certas autoridades eclesiásticas tentaram que os acusadores retirassem as queixas e deixaram de investigar as suspeitas. Hamilton relata que ninguém demonstrou qualquer compaixão por ele. No final de maio, o Papa ouviu, além de Dr. James e Juan Carlos, José Andrés Murillo, vítimas de abuso de poder, de consciência e sexuais do sacerdote chileno. Em seguida, houve um encontro com os bispos do Chile e, neste início de junho, Francisco recebeu sacerdotes e dois leigos usados também. Afirma, em entrevista, padre Alejandro Vial, que esteve presente e que o encontro com o Papa buscou contribuir para que não haja mais vítimas de abuso.

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O Santo Padre olha de frente essa situação que destrói tantas pessoas, sem subterfúgios, sem se preocupar em impedir um possível desgaste desta ou daquela diocese ou paróquia. Aproxima-se dos sacrificados para lhes dar voz nesses terríveis acontecimentos, ouve suas dores e busca melhorar, na Igreja, as atuais medidas preventivas e de luta contra abusos. Logicamente, as medidas do papa, para a questão de poder direcionado para o abuso sexual, deve-se estender, além dos consagrados, aos leigos que possuem alguma responsabilidade na estrutura eclesial. E que seja capaz, igualmente, de tocar fundo o coração da humanidade que, não raro, acoberta e se cala, colocando o abusado como transgressor. Quantas histórias de abuso sexual ouvi de mulheres engolidas pela prostituição, vítimas, ainda na infância, do pai, padrasto, avô, primo, irmão, responsáveis por orfanatos… Vários também considerados virtuosos. Parabéns, papa Francisco! Vossa Santidade me enche o coração de esperança.

MARIA CRISTINA CASTILHO é professora e cronista

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