OPINIÃO

Nathália Mondo: a Bienal do ‘Livro’

A Bienal do Livro está rolando, você ficou sabendo? Eu, pelo meio em que vivo, estou sendo bombardeada todos os dias, por e-mail, jornal e redes sociais, sobre essa mostra/feira de livros. Acompanhei as montagem dos estandes das editoras por vídeos e fiquei super animada. Vi colegas tirando fotos incríveis em cenários muito bonitos. Vi até quais os “foodtrucks” que lá estariam para já preparar o estômago. Logo me empolguei e fui.

Mas foram as campanhas governamentais que patrocinam o evento que efetivamente me convenceram a ir, pois vendem a ideia de um ambiente cultural, de muito aprendizado e incentivo à leitura. Entretanto não vi isso lá. O valor da entrada não é abusivo frente ao espaço usado e estrutura de recebimento; e temos meia-entrada para diversas categorias; para outras, ingresso gratuito inclusive (é só se informar no site). O transporte público também está ricamente equipado para levar o pessoal da Capital até lá. Mas a feira é sobre leitura, sobre cultura, sobre conhecimento e ter acesso ao livro que é bom, nada!

Há sim promoções para professores e outras pessoas ligadas ao ramo da edição e vendas, porém, para o cidadão comum, o leitor assíduo ou o iniciante, os preços não variam de uma livraria qualquer. Ou seja, os valores são caríssimos: difícil achar um livro por menos de R$ 30. Para uma família com mais de uma criança e com pais também leitores, cada um sair com uma obra de presente é um valor significativo

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Assim como você convence aquele que foi até lá só pela diversão, perdido em relação ao propósito, buscando talvez um meio para se iniciar no mundo maravilhoso dos livros, a começar a ler? As distribuidoras e os livreiros também não ajudaram. Eles eram poucos frente aos estandes das editoras em si e os valores não mudavam muito de um local para o outro. Só os títulos que sim. Nos primeiros, livros muito antigos, pouco vendidos, fora de mercado. Nas editoras, os lançamentos a preço de lançamento. Ou seja, o desinteressante mais ou manos acessível disputando com o caro.

Logo vi mais filas para as pessoas tirarem fotos com o trono de ferro, com um cenário mágico ou com um “cosplay” no corredor do que comprando livros. Aí tudo se distorce. E um dos eventos mais importantes da área da cultura e educação se transforma em uma disputa por quem tira a foto mais bonita para postar no Instagram. E sem um livro sequer nas mãos. Saí de lá triste. Com um único livro novo na mochila. Sem nenhuma foto pra postar. Sem vontade de voltar daqui dois anos.

NATHÁLIA MONDO é professora de Língua Portuguesa formada pela USP e leitora faminta de qualquer coisa

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