OPINIÃO

Paulo Bevilacqua: Freguês

Alvísseras, minha gente! Alvísseras! Mais um escritor jundiaiense tem seu livro publicado: “Freguês”. Do jornalista e diácono Pedro Fávaro, o Pedrinho, querido por todos. Tive o privilégio e a honra de receber um exemplar com dedicatória. Como ele disse, “ainda quentinho, saído do forno”. E por que todas aquelas interjeições de contentamento tão usuais de nossos irmãos portugueses? Por nada mais, nada menos, do que ter sido publicado por uma editora portuguesa, a Chiado de Lisboa. Não que o livro seja um “chiado”, pelo contrário, é um grito e daqueles que chegam aos céus. Portanto, não é um livro que ensina como tratar o freguês para aumentar os seus lucros. Pode-se dizer que o livro é autobiográfico, mas que conta somente alguns aspectos de sua vida, algumas coisas de sua adolescência, juventude e vida atual. Os leitores mais velhos vão sentir saudade de seu tempo, das peladas no “Sororoca”, e os novos vão saber como também era gostoso morar em Jundiaí. No entanto, o grosso da narrativa é o seu contato, mais sua atuação junto aos “invisíveis” das praças de Jundiaí, e também denuncia os não tão invisíveis, os supervisíveis na base da cacetada. Conta com cores berrantes (alguém já disse isso?) a miséria das ruas e praças. O livro está sendo publicado em Lisboa. Isso quer dizer que Jundiaí vai ser conhecida por muitos mais portugueses e, por ser a Chiado uma editora que propaga seus livros pela Europa, Jundiaí vai ser mais conhecida por todo o continente. Que glória, hein?! Epa! Espera aí! Se o livro vai contar nossas mazelas, como fica a fama de Jundiaí? Ah, então vamos jogar nosso lixo por baixo do tapete? Estes “invisíveis” de que fala o livro se encontram nas cidades do mundo. Isso não vai ser novidade para ninguém. A novidade é que em poucas cidades se encontra alguém que os enxergam como nosso Pedrinho.

Crianças pobres e doentes se encontram por toda parte. Mas porque Calcutá é conhecida? Por causa de uma santa mulher, Teresa. Aqui dou asas à minha imaginação. Tenho um bisneto (Marco) que mora na Dinamarca. Estou vendo uma cena daqui uns cinquenta anos. Ele, casado, com muitos filhos, senhor respeitável na sua cidade, conversa com um colega que lhe diz: “Sabe, Marco, acabo de ler a biografia de um beato que é lá da cidade de seu pai, Jundiaí, o Beato Pedro Fávaro”. “Também já li e sei que ele era muito amigo de meu bisavô (se aguenta aí, freguês!)”. A linguagem do livro apresenta, ipsis verbis, a fala desses “invisíveis”. Portanto transcreve palavras bem apimentadas. Nem por isso estas chegam a ser desconhecidas por nossos moleques de oito a doze anos, que já as aprenderam na escola. Talvez a madre superiora do convento fique um pouco roborizada. Pelo resto é uma narrativa que flui em frases curtas bem estruturadas. Os portugueses, sim, vão aumentar o seu vocabulário e conhecer um pouco da gramática brasileira da Língua Portuguesa. Creio que não seja um livro que deva ser lido numa assentada. Leia um ou dois capítulos. Feche o livro e os olhos e medite um pouco. Não digo quem é este “freguês”. Você vai se surpreender. Talvez possa ser você mesmo.

PAULO GERALDO BEVILACQUA é professor da Unianchieta

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