ARTIGO

Reflexões às vésperas de um ano novo

Contrariamente ao que pensa a maioria das pessoas, o chamado Processo Civilizador, com a expansão da Democracia e o progresso da Ciência, tem avançado continuadamente. A realidade factual comprova isso. A divergência ocorre em razão da nossa superexposição à mídia, que nos mostra um mundo conflagrado, pois o que de fato ocorre no dia a dia não é notícia.

Isso não quer dizer, no entanto, que, seja como for, vamos continuar avançando. Ao invés de melhorar, pode piorar. Se optarmos por basear nossa opinião não nos fatos, mas nas sensações – sujeitas a manipulações por teorias conspiratórias e fake news, que distorcem a nossa percepção da realidade – isso pode acontecer.

Ou seja: para tomar nossas decisões e nos posicionarmos com sensatez, precisamos sair da zona de conforto e analisar nossos conceitos com serenidade, vendo o que, de fato, está se passando.

A questão do momento, à nossa frente, envolve as propostas neoliberais e de esquerda. Qual o caminho a seguir? A esquerda defende um Estado forte, centralizador. O neoliberalismo defende um Estado regulador, mas que deixa ao mercado a tarefa de promover o desenvolvimento, gerando com isso prosperidade e, consequentemente, mais oportunidades, mais emprego e melhores salários.

Os fatos mostram que a melhoria de vida da população não é melhor atendida com o inchaço do Estado. Na prática ocorre o que aconteceu no Brasil durante os governos petistas. Quando se foca no que é mais importante – os resultados – vê-se que a miséria, ao final, ao invés de diminuir, aumentou, pois a economia foi debilitada, o que nos levou à crise, ao desemprego em massa e ao gigantesco rombo nas contas públicas.

No entanto, igual radicalismo da parte neoliberal criou o impasse atual, da enorme concentração de riqueza, o que é insustentável. Vários bilionários têm renda maior do que a soma do PIB de muitas nações.

O que se tira dessa reflexão é que a questão social é melhor atendida pelo desenvolvimento do mercado combinado com uma ação ao mesmo tempo regulatória e assistencial do Estado. Ou seja: uma posição tomada sem os dogmatismos da esquerda e da direita.

O que vemos, no entanto, é a crescente polarização que divide o País. Ao invés de avançar, perdemos tempo em rixas estéreis. Definir políticas visando o bem comum levado por ódios e paixões não é o melhor caminho. Isso é para campeonato de futebol.

MIGUEL HADDAD é deputado federal 

 

 

COMENTE

Loading Facebook Comments ...

Comente

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *