QUALIDADE DE VIDA

Renato Nalini: Bem viver, fazendo o bem

Pesquisadores permaneceram longo tempo a analisar a vida longeva na Sardenha. É o lugar do planeta em que há mais pessoas que chegam a completar o centenário e o ultrapassam. Chegaram à conclusão de que a longevidade é uma questão de conectividade. Ou seja: prolongam sua aventura pela Terra aqueles que se relacionam, que conversam, que olham nos olhos, que apertam as mãos e que se tocam.

Impossível deixar de concluir que não é só na ilha peninsular que se pode atingir esse desiderato. Aqui mesmo, em nossa cidade, há pessoas que se aproximam disso. Um exemplo é o querido jundiaiense Fortunato Milani, que todos conhecem por “Tico Milani”. Já passou dos noventa, bem vividos. A celebração nonagenária foi durante a missa do Padre Brombal, que exortou a todos a entoarem o “Parabéns” a um belíssimo exemplo de marido, pai, avô, cidadão e desportista.

Sobre ele, Virgilio Torricelli, depois de considerá-lo “iluminado” e “incomum”, proclama o seu desejo de encontrar outro “Tico Milani”. E então diria: “Sou muito feliz porque o mundo está melhorando, está mudando para melhor, pois apareceu outro homem igual ao Tico”.

Os Milani são um dos pilares desta nossa Terra da Uva. Mário Milani (1918-2003) foi jogador profissional no São Paulo, campeão pelo Fluminense em 1940. Jogou durante oito anos no Corinthians e foi campeão nada menos de 18 vezes. O pai, de quem “Tico” herdou o prenome, Fortunato, foi na verdade um afortunado. Era o proprietário do imóvel número 91 da rua do Rosário, onde o mecenas professor Pedro Clarismundo Fornari começou a trajetória exitosa do conglomerado educacional “Padre Anchieta”. Para isso, Fortunato adaptou o edifício e depois o ampliou quando a demanda do alunado o exigiu.

Renunciou a locá-lo por valor maior, apenas para manter o compromisso firmado com o professor Fornari. Gestos que enobrecem e que hoje são raros. Mas que repercutiram na vida escorreita e benfazeja de “Tico” Milani, digno herdeiro da tradição paterna.

Semeando o bem, conquistando amizade e respeito, constituindo padrão de conduta familiar e cívica, “Tico” Milani é um jundiaiense que pode e deve ser apontado aos coetâneos e à posteridade como paradigma da melhor cepa já colhida pela brasilidade. Em tempos sombrios de maus exemplos, é muito bom poder contar com a lição permanente da jubilosa aventura existencial de Fortunato Milani, o querido “Tico”.

JOSÉ RENATO NALINI é desembargador, reitor da Uniregistral, escritor, palestrante e conferencista

Foto: Divulgação

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