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Renato Nalini: O recado cidadão

JOSÉ RENATO NALINI | 08/10/2018 | 14:00

A cidadania brasileira, que ainda não é verdadeiramente uma cidadania, pois milhões não têm “o direito a ter direitos”, mandou um recado claro para os detentores do poder. A Democracia Representativa já não satisfaz. Não convence a ninguém. Quem é que se sente representado, se quase quatro dezenas de partidos disputam espaços e troca-se de partido como se troca de roupa? O resultado é uma tributação de país milionário para serviços públicos de péssima qualidade.

É hora de repensar com seriedade as escolhas que o Brasil fez. Apenas oito estados-membros têm receita suficiente para manterem suas estruturas arcaicas e pródigas em abrigar apaniguados. Quantos dos seis mil municípios brasileiros podem ser entidades federativas e contar com prefeituras, com suas secretarias e cargos em comissão, câmaras municipais e outros equipamentos, sempre a depender de repasses de verbas federais?

Chegou o momento de acabar com o Fundo Eleitoral, que permite aos nanicos se eternizarem e sempre disputarem eleições, mesmo sabendo que não têm a menor chance. Mas com o intuito de participarem da partilha do sacrificado dinheiro do povo.
Hora de acabar com a propaganda política “gratuita”, que é bem remunerada pelo povo para uma programação destituída de qualquer interesse. Mesmice, mentiras, falácias… O povo está cansado. Não aguenta mais.

O constituinte prometeu Democracia Participativa e esta dá trabalho. Mas o povo precisa cobrar, não perder a capacidade de indignação, fiscalizar e manter vigilância ininterrupta. Com a contraprestação de também mudar de atitude. Não se pode só exigir ética e correção dos outros e continuar com as mesmas práticas de leniência, na egoística busca do próprio interesse em detrimento do respeito ao próximo.

Vamos corrigir a distorção de sacrificar o povo paulista, cujo voto vale menos do que o de rincões onde ainda não vigoram os novos tempos, onde o coronelato ainda explora legiões, onde a natureza está sendo destruída a um ritmo acelerado. Em seguida, abrir-se para o diálogo. Ouvir o outro. Procurar entender seu ponto de vista. Alertar o cego para o que realmente ocorre: o Brasil está falido. Se não houver sacrifício e vontade de superar este momento dramático, ainda teremos saudades de 2018. Vem muito sofrimento pela frente, se não assumirmos nosso protagonismo patriótico e não nos empenharmos, todos e cada um, rumo à salvação de nossa pátria.

JOSÉ RENATO NALINI é reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed. – RT-Thomson

Foto: Divulgação

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